Não saí por aí com uma prancheta na mão, contando de porta em porta. Mas, de conversa em conversa, trocando uma ideia aqui e ouvindo outra ali, cheguei a uma estimativa impressionante: são cerca de cinquenta academias — particulares, de clubes ou administradas pelo poder público — espalhadas por todos os cantos do município. Uma lista imensa de opções que vai da musculação à hidroginástica, passando por pilates, dança, natação, yoga e artes marciais.
Se deixarmos de lado a
educação física escolar, as escolinhas de esportes, os caminhantes das
avenidas, os ciclistas das nossas estradas e até aqueles que jogam sua bola no
fim de semana apenas por diversão, chego a uma estimativa generosa: entre 32
mil e 35 mil itapirenses estão se exercitando de forma estruturada e regular,
pelo menos três vezes por semana. É praticamente metade da nossa população no
embalo. Ver tanta gente investindo na própria saúde e buscando qualidade de vida
é algo bonito de se ver.
Afinal, a ciência já cantou
essa pedra em verso e prosa: o corpo cobra o seu preço, mas também sabe
agradecer. Quando nos movimentamos, o coração trabalha melhor, o peso tende a
diminuir, a gordura perde espaço e a pressão arterial pode se ajustar. Músculos
e ossos ficam mais fortes e preparados para enfrentar lesões e dores do
cotidiano, enquanto o sistema imunológico também se beneficia. De quebra, o
cérebro responde na hora. Uma enxurrada de substâncias entra em cena para aliviar
a tensão, reduzir o estresse, melhorar a memória e contribuir para uma noite de
sono mais restauradora. É quase a matemática perfeita da vida: algumas horas de
atividade física por semana podem devolver benefícios que se multiplicam por
todos os outros momentos do dia. Um investimento cujo retorno aparece na
qualidade de vida.
Se esse hábito transforma a
vida de qualquer pessoa, para quem já cruzou a casa dos 60 anos ele pode ser um
verdadeiro divisor de águas. O tempo é implacável: ano a ano, a massa muscular
tende a diminuir, a força se reduz, o equilíbrio pode vacilar e as dores —
velhas conhecidas ou recém-chegadas — podem se tornar companheiras frequentes.
O perigo real não é envelhecer; é ver a própria autonomia escorrer pelas mãos.
Já que ninguém tropeçou na fonte da juventude até hoje, a atividade física
frequente e bem orientada é o mais perto que chegamos desse milagre. Ela não
faz o relógio andar para trás, mas pode devolver força, disposição e
vitalidade.
Olhando para essa Itapira
dinâmica e ativa de hoje, torna-se impossível não fazer uma pausa para olhar
para trás. Nenhuma história de movimento por aqui pode ser contada sem evocar a
figura memorável do professor Barreto.
Muito antes de a saúde virar
tendência ou assunto de redes sociais, quando o exercício físico não passava de
um cumprimento de tabela nas aulas de educação física e apenas o futebol
reinava soberano entre adultos e meninos, o Mestre Barreto já enxergava longe.
Ele parecia ver o futuro. Organizava caminhadas, promovia corridas e puxava
passeios ciclísticos que percorriam curtas e longas distâncias, ensinando a
cidade a andar com as próprias pernas.
Se hoje a nossa gente
entendeu o valor de cuidar do corpo e viver melhor, é porque, lá atrás, o “Seu
Zé” dobrou as mangas e colocou as mãos na terra. A semente que ele plantou com
tanto carinho germinou — e hoje Itapira inteira colhe os frutos, em pleno
movimento.
