segunda-feira, 17 de janeiro de 2005

Resgate esportivo ou busca por vitórias?

 Em 2004, o projeto Talento Esportivo na Escola avaliou a capacidade física de cerca de dois milhões de estudantes em todo o país. O objetivo era identificar jovens de 10 a 15 anos com aptidão esportiva e desempenho acima da média populacional. Esse esforço resultou no Banco de Talentos, um cadastro nacional com aproximadamente 40 mil alunos de destaque, disponibilizado ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e a outras instituições focadas na formação de atletas.

Para mapear esse potencial, as crianças e adolescentes passaram por testes de estatura, envergadura, flexibilidade, força, resistência, agilidade e velocidade. A partir desses dados, tornou-se possível direcionar os talentos para as modalidades mais adequadas ao perfil de cada um.

A iniciativa buscou ampliar a base de atletas no país. Afinal, embora o Brasil abrigue cerca de 34 milhões de jovens entre 16 e 24 anos, apenas 100 mil estão filiados a federações ou confederações esportivas.

O orgulho por atletas de destaque é universal, manifestando-se tanto em pequenas cidades quanto em grandes nações. Uma equipe campeã resgata o orgulho coletivo e fortalece o sentimento de pertencimento da população. Por isso, gestores públicos — de prefeitos a presidentes — buscam o sucesso no esporte. Enquanto as Olimpíadas são a grande vitrine do desenvolvimento esportivo nacional, os municípios enxergam no investimento esportivo uma ferramenta dupla: a formação de cidadãos e a conquista de títulos.

Diante disso, surge a questão central: o investimento público no esporte deve priorizar a formação contínua e o resgate de talentos ou concentrar-se na busca por vitórias imediatas?

sexta-feira, 14 de janeiro de 2005

VAMOS FAZER DE ITAPIRA A CIDADE MAIS BONITA DO BRASIL

O vice-prefeito Antonio Carlos Martins, famoso por suas tiradas alegres e inteligentes, logo após as eleições, em tom de brincadeira e visivelmente feliz, provocava seu companheiro de luta, Alberto Mendes, atribuindo-lhe a missão de se tornar o melhor auxiliar do prefeito eleito. Caso contrário, o povo poderia concluir: se, como diretor de um departamento, não conseguiu dar conta do recado, o que aconteceria se fosse eleito prefeito, responsável por todos os setores da prefeitura?

Brincadeiras à parte, o novo Diretor do Departamento de Serviços Públicos, Sr. Alberto Mendes, tem pela frente a árdua tarefa de cuidar dos serviços de conservação urbana e rural de nossa cidade. E já se propõe a um grande desafio: tornar Itapira uma das cidades mais bonitas do Brasil.

Manter a cidade limpa e organizada é trabalhoso, mas, a bem da verdade, qualquer gestor minimamente competente poderia dar conta dessa tarefa. Bastariam competência administrativa e pessoal em quantidade suficiente.

Tornar a cidade bonita, porém, é outra história.

É preciso, além da competência, ter uma visão política mais avançada, capacidade de mobilização, sensibilidade para administrar as adversidades entre as diferentes realidades sociais e compromisso com a verdadeira vocação de uma cidade. E, nesse aspecto, Alberto Mendes nos dá bons sinais.

Quando se fala em tornar uma cidade bonita, não basta aplicar um simples “banho de loja” nos locais de maior circulação popular: arrumar uma praça aqui, pintar um muro ali, tapar os buracos mais visíveis ou recolher entulhos acumulados.

Essas providências são necessárias e obrigatórias para qualquer prefeitura. Estão praticamente no mesmo patamar da saúde, do saneamento e da educação — ou seja, fazem parte das atividades básicas e essenciais da administração pública.

Tornar a cidade mais bonita também deve ser entendido como uma necessidade básica.

É preciso haver vontade política para construir uma cidade agradável para se viver, capaz de tornar o dia a dia das pessoas mais interessante e menos estressante.

Não queremos uma cidade bonita apenas para visitantes ocasionais ou para cumprir a famosa vocação turística. Ela precisa ser bonita, antes de tudo, para quem vive aqui.

Além da vontade e da capacidade do Diretor de Serviços Públicos, precisamos do empenho do prefeito e, fundamentalmente, da participação ativa da população.

Uma cidade bonita eleva a autoestima de seu povo, torna-nos mais participativos e fortalece o senso de responsabilidade compartilhada.

Como consequência, diminuem o vandalismo e os roubos de bens públicos. A cidade torna-se mais limpa porque passamos a sujar menos e aprendemos a cuidar melhor do nosso lixo.

Utopia?

Os países desenvolvidos descobriram esse caminho há muito tempo. Preservam seus prédios históricos, cultivam adequadamente jardins públicos e privados e valorizam até as pequenas floreiras nas janelas. Cada cidadão cuida de sua área particular e também contribui para a conservação dos espaços públicos.

Àqueles que ainda não compreenderam a essência da convivência humana, aplicam-se pesadas multas.

Muitos dirão que essa postura é impossível no Brasil.

Não é.

Muitas cidades brasileiras já seguem esse caminho, principalmente nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Quando cidade e cidadãos convergem em propósito, a corrupção diminui, cresce a atenção aos gastos públicos desnecessários, tornamo-nos mais alegres, celebramos mais e vivemos melhor.

Que o Diretor do Departamento de Serviços Públicos aceite o desafio lançado pelo vice-prefeito e confirme-se como o melhor diretor da equipe.

Que mantenha firme o propósito de tornar Itapira uma das cidades mais bonitas do Brasil, para que nunca mais precisemos abrir mão da nossa cidadania.

 

sábado, 1 de janeiro de 2005

Que coisa mais feia!

Dizem que todo político precisa ser “cara de pau”.

Dizem, também, que político precisa ser esperto, inteligente e, principalmente, convicto do bem que produziu durante o seu mandato.

Apesar de eu não concordar totalmente com esse perfil, muitos políticos brasileiros fazem sucesso exatamente por reunir esses atributos.

Durante 28 anos, Itapira presenciou sete posses de prefeito. Excluindo a última, todas as demais contaram praticamente com os mesmos personagens.

Em cada posse, havia a certeza, por parte dos eleitos, assessores e torcedores, de que a população havia tomado a decisão correta ao manter a continuidade do “progresso” da nossa terra.

Durante todo esse período, “Itapira prosperou, cresceu, tornou-se uma das melhores cidades do país para se viver — justa e linda”. Nossas receitas e despesas sempre foram aprovadas pelo tribunal de contas, muitas vezes com louvor (?). As dívidas dos “outros municípios” eram sempre maiores. Itapira experimentou, nesse período, “um progresso jamais imaginado”. As verbas destinadas à cidade “não eram conquistadas pela maioria dos outros municípios”, porque aqui tínhamos um “superprefeito”, um “superpolítico”.

Na maior parte desses 28 anos, Itapira viveu numa espécie de ilha da fantasia, distante dos problemas brasileiros. Se aqui estava ruim, “lá fora era muito pior”. O “superprefeito” cuidava muito bem de todos nós e nos protegia dos “maus itapirenses”, que insistiam em acabar com esse progresso, fazendo uma “oposição mesquinha, contra o povo de Itapira”.

Encerrar esse ciclo deveria ser motivo de orgulho para qualquer político. Mas, ao que parece, não foi.

Os dois momentos mais importantes da trajetória de um prefeito são a posse e a entrega do cargo ao final do mandato.

Se a posse é importante por representar toda a esperança depositada pelos eleitores no futuro prefeito, a entrega do cargo representa o dever cumprido, a certeza da probidade, o respeito ao bem público e aos desejos da população.

Ao deixar de participar da transmissão do cargo, o ex-prefeito falhou em seu segundo maior momento.

Dizem que essa atitude foi motivada pelo receio de vaias.

Motivo insignificante.

O povo de Itapira, ordeiro e educado, saberia respeitar um prefeito que se limitasse a cumprir os atos protocolares.

Respeitando, seria respeitado.

Feliz prefeito novo.