O vice-prefeito Antonio
Carlos Martins, famoso por suas tiradas alegres e inteligentes, logo após as
eleições, em tom de brincadeira e visivelmente feliz, provocava seu companheiro
de luta, Alberto Mendes, atribuindo-lhe a missão de se tornar o melhor auxiliar
do prefeito eleito. Caso contrário, o povo poderia concluir: se, como diretor
de um departamento, não conseguiu dar conta do recado, o que aconteceria se
fosse eleito prefeito, responsável por todos os setores da prefeitura?
Brincadeiras à parte, o novo
Diretor do Departamento de Serviços Públicos, Sr. Alberto Mendes, tem pela
frente a árdua tarefa de cuidar dos serviços de conservação urbana e rural de
nossa cidade. E já se propõe a um grande desafio: tornar Itapira uma das
cidades mais bonitas do Brasil.
Manter a cidade limpa e
organizada é trabalhoso, mas, a bem da verdade, qualquer gestor minimamente
competente poderia dar conta dessa tarefa. Bastariam competência administrativa
e pessoal em quantidade suficiente.
Tornar a cidade bonita,
porém, é outra história.
É preciso, além da
competência, ter uma visão política mais avançada, capacidade de mobilização,
sensibilidade para administrar as adversidades entre as diferentes realidades
sociais e compromisso com a verdadeira vocação de uma cidade. E, nesse aspecto,
Alberto Mendes nos dá bons sinais.
Quando se fala em tornar uma
cidade bonita, não basta aplicar um simples “banho de loja” nos locais de maior
circulação popular: arrumar uma praça aqui, pintar um muro ali, tapar os
buracos mais visíveis ou recolher entulhos acumulados.
Essas providências são
necessárias e obrigatórias para qualquer prefeitura. Estão praticamente no
mesmo patamar da saúde, do saneamento e da educação — ou seja, fazem parte das
atividades básicas e essenciais da administração pública.
Tornar a cidade mais bonita
também deve ser entendido como uma necessidade básica.
É preciso haver vontade
política para construir uma cidade agradável para se viver, capaz de tornar o
dia a dia das pessoas mais interessante e menos estressante.
Não queremos uma cidade
bonita apenas para visitantes ocasionais ou para cumprir a famosa vocação
turística. Ela precisa ser bonita, antes de tudo, para quem vive aqui.
Além da vontade e da
capacidade do Diretor de Serviços Públicos, precisamos do empenho do prefeito
e, fundamentalmente, da participação ativa da população.
Uma cidade bonita eleva a
autoestima de seu povo, torna-nos mais participativos e fortalece o senso de
responsabilidade compartilhada.
Como consequência, diminuem o
vandalismo e os roubos de bens públicos. A cidade torna-se mais limpa porque
passamos a sujar menos e aprendemos a cuidar melhor do nosso lixo.
Utopia?
Os países desenvolvidos
descobriram esse caminho há muito tempo. Preservam seus prédios históricos,
cultivam adequadamente jardins públicos e privados e valorizam até as pequenas
floreiras nas janelas. Cada cidadão cuida de sua área particular e também
contribui para a conservação dos espaços públicos.
Àqueles que ainda não compreenderam
a essência da convivência humana, aplicam-se pesadas multas.
Muitos dirão que essa postura
é impossível no Brasil.
Não é.
Muitas cidades brasileiras já
seguem esse caminho, principalmente nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio
Grande do Sul.
Quando cidade e cidadãos
convergem em propósito, a corrupção diminui, cresce a atenção aos gastos
públicos desnecessários, tornamo-nos mais alegres, celebramos mais e vivemos
melhor.
Que o Diretor do Departamento
de Serviços Públicos aceite o desafio lançado pelo vice-prefeito e confirme-se
como o melhor diretor da equipe.
Que mantenha firme o propósito de tornar Itapira
uma das cidades mais bonitas do Brasil, para que nunca mais precisemos abrir
mão da nossa cidadania.