Fiquei estupefato. Não pelo peso perdido, mas pela
ironia.
Ele foi um dos maiores opositores da vacina da
Covid-19 que já conheci. Na época, o argumento era firme: "falta tempo
de estudo para provar a eficácia e segurança."
Perguntei qual médico estava acompanhando o
processo dele. A resposta me deixou ainda mais pasmo: — Você tá louco? Além
da consulta, é o triplo do preço. O meu vem do Paraguai. Tenho um fornecedor de
confiança. — E qual você tá usando? — Já usei umas três marcas.
Agora tô na retatrutida.
O mesmo indivíduo que recusou vacinas desenvolvidas
por grandes cientistas, aprovadas por órgãos reguladores e testadas em milhares
de pessoas, hoje injeta no próprio corpo uma substância sem procedência.
E o detalhe: a retatrutida sequer foi aprovada
para uso comercial no Brasil ou em qualquer lugar do mundo. É um
medicamento ainda em fase de testes!
Quando indicadas por um endocrinologista e com
acompanhamento adequado, as canetas legítimas são ferramentas poderosas. Mas
mesmo as oficiais exigem cautela:
elas podem causar náuseas,
diarreia, perda de massa muscular e até pancreatite. Os estudos acompanharam
pacientes por 1 a 2 anos. Ainda não sabemos 100% dos efeitos a longo prazo (5 anos
ou mais). Sem reeducação alimentar
e musculação, o efeito
sanfona é quase certo após a interrupção.
Agora imagine aplicar uma versão clandestina? O risco deixa de ser apenas do remédio e passa
a ser da roleta-russa sanitária: falhas de esterilização, impurezas,
dosagens erradas ou até água com qualquer outra substância dentro do frasco.
Fiz a minha parte como amigo. Aconselhei que
procurasse um médico de verdade, cuidasse da alimentação, praticasse musculação
e parasse de brincar com a própria saúde. Desta vez, ele não rebateu meus
argumentos de imediato. Deu a impressão de que, desta vez, não havia
sido previamente municiado para combater qualquer ideia divergente. Meno male. Ao menos por um
instante, pareceu refletir.
No mercado da vaidade instantânea e da ignorância
turbinada pelas redes sociais, o ceticismo em relação à ciência costuma
evaporar na velocidade de um clique. O problema é que o entusiasmo passa; a
conta do risco, não. E ela pode ser bem cara.
