quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Lulistas e bolsonaristas são mais parecidos do que imaginam, diz estudo

 


Pesquisas de grandes institutos indicam que o eleitorado brasileiro se divide em três grupos de tamanho semelhante: direita, esquerda e não alinhados. Isso significa que, por mais barulho que os alinhados façam, nenhum dos dois tem votos suficientes para vencer uma eleição majoritária sozinho.

 

O próximo presidente da República será quem conquistar a maioria entre os não alinhados — eleitores pragmáticos que se distanciam de disputas ideológicas. Esse grupo decide o voto avaliando previsibilidade econômica, inflação, poder de compra, combate à criminalidade, saúde e educação.

Desconfia de escândalos, condena a corrupção e rejeita discursos radicais.

Por não ter amarras ideológicas, esse eleitor flutua conforme os fatos e o noticiário.

 

Dificilmente um eleitor de esquerda migra para a direita ou vice-versa, mas o eleitor pragmático muda de lado com facilidade, várias vezes durante a campanha. Esse grupo é o terror das pesquisas quando a disputa é acirrada.

 

No cenário atual, a esquerda é majoritariamente representada pelos lulistas, e a direita, pelos bolsonaristas. Um estudo recente da More in Common Brasil, em parceria com o Ipsos-Ipec (realizado entre 6 e 10 de agosto de 2026 com 2.000 pessoas), revelou um dado revelador: lulistas e bolsonaristas são mais parecidos — e menos radicais — do que pensam uns dos outros.

 

A pesquisa mediu o “perception gap” (o descompasso entre o que se imagina do outro e o que ele realmente pensa) e constatou um erro médio de percepção de 20 pontos entre os grupos. Ambos enxergam o lado oposto como muito mais intolerante e caricato do que a realidade mostra:

 

Inclusão social: Bolsonaristas deram nota 86 para a importância de pessoas pobres viajarem de avião e frequentarem os mesmos espaços dos ricos. Lulistas achavam que a nota seria 69.

 

Igualdade salarial: A nota dos bolsonaristas para salários iguais entre homens e mulheres na mesma função foi 94. A estimativa dos lulistas era 73.

 

Democracia: A rejeição ao fechamento do Congresso obteve nota 71 entre bolsonaristas, ante a expectativa lulista de 65.

 

Segurança: Lulistas deram nota 86 à afirmação de que a pobreza não justifica o crime. Bolsonaristas esperavam 67.

 

Autonomia financeira: A frase de que todos devem trabalhar para ter renda própria sem depender do governo recebeu nota 84 dos lulistas, contra a estimativa bolsonarista de 65.

 

Valores familiares: A afirmação “A família é a base de tudo” obteve nota 95 entre lulistas. Os bolsonaristas projetavam apenas 72.

 

A conclusão é clara: os estereótipos políticos não são apenas exagerados, são falsos.

 

Isso não apaga as divergências profundas nem aproxima totalmente as agendas econômicas e sociais. Contudo, demonstra que a distância real entre os polos é muito menor do que a imaginada.

 

Discordar é um pilar saudável da democracia. O perigo surge quando deixamos de debater com pessoas reais para combater caricaturas. O adversário político raramente é o monstro que a polarização inventa. Discordar faz parte do jogo; desumanizar o outro, não.