A sequência de acidentes graves e as inúmeras
mortes na estrada para Jacutinga me trouxeram à memória os tempos em que a
rodovia entre Itapira e Mogi Mirim ainda era de pista simples. Durante boa
parte da minha vida, convivi com a triste rotina de tragédias na SP-147, que
chegou a receber o sombrio título de "estrada da morte". Muitas vidas
foram ceifadas ali, grande parte delas de itapirenses.
As justificativas eram quase sempre as mesmas:
variavam entre a suposta inabilidade dos motoristas e a pura imprudência.
Também eram frequentes as frases usadas para confortar as famílias enlutadas,
como: “era o destino” ou “quando chega a hora, não há o que fazer”. No entanto,
após a duplicação da SP-147, os acidentes e as mortes despencaram. Mesmo com um
fluxo atual de cerca de 12 mil veículos por dia, o número de ocorrências caiu
drasticamente. Felizmente, graças à atenção que o deputado Barros Munhoz
dedicou às rodovias que convergem para Itapira, muitas vidas foram preservadas.
A Rodovia Comendador Virgolino de Oliveira
(SP-352), que liga Itapira à divisa com Minas Gerais, porém, continua sendo
motivo de grande preocupação. Apesar das melhorias já realizadas, ela recebe um
fluxo médio diário de aproximadamente 8 mil veículos, incluindo intenso tráfego
de caminhões, carretas, bitrens e vans — veículos que, nos últimos dez anos,
estiveram envolvidos em mais de 60% dos acidentes com vítimas fatais.
Estimativas apontam que, nesse período, ocorreram cerca de 370 acidentes na
via, dos quais aproximadamente 110 foram considerados graves, resultando em
mais de 30 mortes.
Nos tempos da antiga "estrada da morte",
entre Itapira e Mogi Mirim, muitos itapirenses desenvolveram uma espécie de temor
coletivo: trafegar por aquela rodovia era quase sinônimo de colocar a própria
vida em risco. Hoje, imagino que muitos usuários diários ou ocasionais tenham
sensação semelhante ao percorrer a SP-352, que, além do perigo iminente, acaba
violando um direito fundamental de todo cidadão: o de ir e vir com segurança.
Agora, com a repercussão — inclusive nacional — dos
dois últimos acidentes fatais, a estrada de Jacutinga tornou-se o principal
assunto nas rodas de conversa. Nos últimos dias, em pelo menos cinco ocasiões
diferentes e com pessoas distintas, ouvi a mesma conclusão após os comentários
sobre as tragédias recentes. E acredito que esse sentimento seja compartilhado
por toda Itapira: é preciso que Totonho continue lutando pela duplicação da
SP-352: só ele tem a força política necessária para
transformar essa reivindicação em realidade.
O verdadeiro valor de uma estrada não está apenas
em levar as pessoas aos seus destinos, mas em garantir que elas possam voltar
para casa em segurança.
