De Gênova ao Tanquinho
Mil oitocentos e noventa e dois,
Gênova se fez despedida no cais.
Deixando o ontem para viver depois,
O Brasil no horizonte, o destino dos pais.
Santa e Bonifácio, em braços de fé,
Guiando a prole, o sonho a brotar.
Sete vidas pequenas, a jornada de pé,
Cruzando o mistério do imenso mar.
Doze anos o mais velho, o fardo do início,
No colo, o caçula, um ano de luz.
Entre o medo e o destino, o doce sacrifício,
De seguir o caminho que a esperança conduz.
Partiram de onde o sol se deita cedo,
Com malas surradas e corações incertos.
Deixaram o Veneto, o monte e o medo,
Por mares bravios, destinos abertos.
O "Merica" chamava, promessa dourada,
Cruzando o Atlântico com a alma em vigor.
A despedida, a terra amada,
Trocaram pelo suor e pelo labor.
O chão de terra roxa, o sol brasileiro,
A enxada que canta na mata fechada.
O imigrante, forjando o terreiro,
Transformou em colônia a selva esquecida.
Na Fazenda do Rumo, o chão batido viu a semente,
Santa e Bonifácio, em treze filhos, o futuro à frente.
Sob o sol de café, de pés descalços, a vida a penar,
Vinte anos de labuta para o pão apenas conquistar.
O feudo vacilou, a aristocracia em declínio perdeu,
Enquanto a indústria, lá longe, outros sonhos acolheu.
Na meação, a chance; na Itapura, o novo altar,
Doze anos guardando moedas, a terra a desejar.
No Bairro do Tanquinho, a conquista enfim se fez chão,
Plantava-se de tudo, mais tijolo da olaria e o café no beneficiar,
Parcelas quitadas, o triunfo das mãos e do coração.
Diversificaram a vida, a casa cheia pronta a se estruturar.
Os ramos se espalharam, por cidades a florescer,
Mas Itapira é a âncora, o berço onde o nome quis crescer.
Cento e trinta e quatro anos, um tempo que a história gravou,
Mais de mil e trezentos nomes, a estirpe que não se apagou.
Dos dois imigrantes, a árvore que o Brasil abençoou,
Marcati é a raiz, o fruto que a esperança legou.





