Já escolhi meus
candidatos. Usei como referência alguns princípios construídos por grandes
pensadores. Repasso-os aqui — quem sabe possam ajudar quem ainda pensa em como
fazer boas escolhas. Sem dar o peixe, apenas a técnica de pesca.
Para o filósofo
Aristóteles, o homem é um animal político, com uma necessidade natural de viver
em sociedade e participar de sua organização. Apesar das tentativas de
retrocesso, evoluímos. Quem acha que a política de hoje é pior que a de ontem
demonstra pouco conhecimento histórico.
A política é a
única arte capaz de organizar a convivência humana, dispondo de recursos para
melhorar a cada geração. Aqueles que se apresentam como antipolíticos ou
antissistema estão desconectados da realidade: são vendedores de sonhos.
O cientista
político Robert Dahl definiu que a democracia real nas sociedades modernas
funciona como uma poliarquia, sustentada por duas dimensões práticas
indispensáveis: a contestação pública — liberdade de oposição e de voto — e a
inclusão — o direito de todos participarem.
Não faz sentido
falar em democracia quando a situação fala sozinha, sem o contraponto da
oposição. Uma regula a outra.
Quem atenta contra
a democracia não deveria nem se candidatar; uma coisa não combina com a outra.
A democracia, com todos os seus defeitos, é melhor que qualquer ditadura
perfeita — se é que isso existe.
Para o pesquisador
Mark Hoofnagle, o negacionismo não é simplesmente "duvidar", mas um
processo retórico que utiliza táticas deliberadas para gerar confusão pública.
Ele identificou cinco práticas recorrentes: uso de falsos especialistas,
falácias lógicas, exigência de padrões impossíveis para a ciência, seleção de
dados isolados e teorias da conspiração.
O negacionismo —
seja científico, histórico ou geopolítico — afeta a sobrevivência humana, a
estabilidade das democracias e o desenvolvimento econômico. Quando indivíduos
ou governos rejeitam deliberadamente consensos baseados em evidências, os
impactos se espalham por diferentes áreas da sociedade.
Qualquer candidato
que trate evidências como conversa de botequim dá mostras de irresponsabilidade
pública.
Para o filósofo
John Locke, o Estado não tem o poder de salvar almas, porque a força da lei ou
a coerção do governo não conseguem mudar aquilo em que o coração de um
indivíduo acredita. Quando o Estado adota uma religião oficial, comete um erro
de finalidade, abrindo espaço para perseguição, violência e hipocrisia.
O candidato que
transforma a religião em instrumento político não apenas explora a fé alheia,
como também fragiliza a política e a própria religião.
Para o filósofo e
escritor Albert Camus, "a pátria de um homem é a sua infância". A
cidade onde nascemos e fincamos raízes nos dá algo precioso que dinheiro nenhum
compra: o sentimento de pertencimento.
O candidato que
quer andar de braços dados com o nosso berço precisa ter capacidade de abrir
portas em auxílio à cidade, às empresas e às instituições; estar disposto a
direcionar verbas para o município; atuar como legislador relevante e ter liderança.
O voto não é prêmio
de simpatia: é uma procuração assinada pela nossa consciência.






