Quando uma ditadura se instala em um país, seja ela de direita ou de esquerda, é porque o povo a aceitou passivamente ou fez vista grossa. Mas nenhuma ditadura resiste ao tempo; se fosse boa, seria eterna.
Chega um momento em que o povo, cansado, se rebela, pressiona e se manifesta de várias formas, até partir para o 'tudo ou nada', colocando a própria vida como último recurso.
O Irã vem dando sinais claros de que a ditadura dos aiatolás se esgotou. Quem não se lembra das mulheres iranianas em 2022? Após uma jovem ser detida por usar o véu de forma 'inadequada', deixando parte do cabelo à mostra, ela apareceu morta dias depois — provavelmente em decorrência de tortura. Um grande movimento de protesto tomou conta do país. O véu foi o símbolo, mas o movimento se transformou em um clamor por liberdade e direitos humanos. Contudo, a ditadura persistiu.
Agora, o povo iraniano está nas ruas novamente. Em ciclos de protestos, centenas de pessoas já perderam a vida.
As ditaduras entram na vida das pessoas oferecendo sempre um mundo melhor. Usam todas as estratégias para convencer a maioria de que a situação atual é insustentável, colocando-se como 'salvadoras da pátria', como se problemas crônicos podem ser resolvidos da noite para o dia. Muitos acreditam. Com o tempo, através da censura e da polícia armada, o povo é encurralado. A maioria torna-se alienada, enquanto uma minoria se beneficia das benesses governamentais e da corrupção, que corre solta sob o manto de uma imprensa controlada. Todas são assim, sem exceção.
Derrubar uma ditadura é um processo difícil e demorado. Somente com a insurgência popular os reais objetivos de liberdade são atingidos. Ainda é cedo para afirmar que o atual regime iraniano será abolido, mas é possível dizer que o povo está no caminho certo e que o fim dessa autocracia é uma questão de tempo.






