Quando a Unimed iniciou suas atividades na região,
o SUS ainda não existia. Havia uma demanda latente por modelos de assistência
médica privada devido à precariedade do sistema público da época. Embora o SUS
tenha sido instituído pela CF88, sua consolidação levou mais de uma década.
Nesse contexto, a Unimed expandiu-se para Itapira. O credenciamento de médicos
locais e da Santa Casa atraiu empresas da cidade, que passaram a oferecer
planos corporativos a seus colaboradores. Em pouco tempo, a Unimed tornou-se a
operadora com o maior número de usuários no município.
A crise na Santa Casa, contudo, é crônica. Nos anos 90, o cenário foi marcado
pelo embate político de Barros Munhoz contra o corpo clínico: “os médicos
detinham o controle não apenas técnico, mas também administrativo da
instituição, dificultando o atendimento público”.
Dessa contenda, e como estratégia de longo prazo, nasceu o Hospital Municipal
de Itapira. Hoje, a unidade é uma realidade que assegura atendimento gratuito
para todos os itapirenses. No entanto, a fragilidade financeira da Santa Casa
continuou.
Em 2013, o agravamento da crise levou o Dr. Pacheco e a Dra. Katia a assumirem
a gestão com a missão de "colocar a casa em ordem". A nova
administração focou em: injeção direta de recursos; articulação política com
Barros Munhoz para obter complementos de verba estadual; reformas internas para
conter sangrias financeiras.
Uma mudança histórica dessa gestão foi o fim da exclusividade da Unimed. Até
então, a Santa Casa não abria espaço para outras operadoras. Novos convênios
foram credenciados, diversificando a receita. Contudo, o fôlego foi temporário:
os problemas estruturais retornaram.
A nota oficial recentemente divulgada pela Santa Casa sugere que a iniciativa
de não renovar o contrato partiu da Unimed, embora deixe as portas abertas para
uma futura repactuação. Enquanto isso, muita gente será prejudicada. Os motivos
reais por trás do rompimento permanecem nos bastidores.
Diante de um histórico administrativo conturbado e agora desprovida de uma de
suas fontes de faturamento mais consistentes, a resiliência da centenária Santa
Casa de Itapira passa a ser vista com ceticismo por muitos.






