Da largada da campanha eleitoral até a totalização dos votos, a maioria acaba se comportando como se estivesse assistindo, ao vivo ou pela televisão, ao jogo do time do coração contra o maior rival. Algo como Brasil x Argentina ou Palmeiras x Corinthians.
Parece
esquisito, mas torce-se mais pela derrota do adversário do que propriamente
pela vitória do próprio time. Quando o juiz intervém a favor, tudo bem, tudo
certo. Mas, se qualquer decisão é contrária — mesmo que correta —, xinga-se até
a quinta geração da família dele. Festejam-se mais os erros do rival do que os
acertos do próprio time. Às vezes, uma vitória dessas, no meio do campeonato,
chega a ser mais comemorada do que uma classificação final sobre um time
meia-boca.
Na eleição para presidente deste domingo, dia 4, a maioria estava dividida em duas torcidas — e assim continuará até o segundo turno. Se prestarmos atenção ao comportamento delas nas conversas presenciais ou nas redes sociais, perceberemos muita semelhança com aquelas partidas em que ficamos com os nervos à flor da pele.
Pois é.
Mas, na eleição, há uma diferença fundamental no resultado.
No jogo,
o resultado positivo dá alegria para um lado e tristeza para o outro. Meu Nono
Alexandre, segundo meu pai, ouvia os jogos do Palestra Itália com um litro de
cachaça ao lado. Terminada a partida, bebia para comemorar a vitória ou para
chorar a derrota. Ele não me contou o que acontecia em caso de empate, mas
desconfio que bebia para serenar.
Enquanto
o resultado de uma partida de futebol deixa clara a divisão da torcida e cada
jogo é uma nova história, o resultado de uma eleição se estende por quatro
anos. Seus reflexos não atingirão apenas um dos lados, mas ambos — inclusive
aqueles que ficaram em cima do muro. Como consequência, todos se alegram diante
de uma boa governança ou se entristecem em função de políticas erráticas.
Gostando ou não, é a democracia. A maioria decide o futuro.
Não por
acaso, o bastão do poder não fica muito tempo nas mãos de um único grupo.
Quando um lado está no governo, o outro está na oposição. Isso também é
democracia: uma força regula a outra, principalmente se a população se mantiver
alerta. A alternância é uma das melhores ferramentas do processo democrático: o
poder não se torna propriedade permanente de ninguém.
#08/10/2026#






