Quando eu era criança, Itapira era o
meu mundo. Depois da minha primeira viagem a São
Paulo com minha mãe, passando por Mogi
Mirim e Campinas, meu mundo cresceu
aos meus olhos.
Com as imagens captadas da Lua, tornou-se evidente o quão pequeno é o nosso
planeta. Tão pequeno que, se um alienígena desavisado o avistasse à distância,
dificilmente imaginaria que aqui vivem mais de 8 bilhões de pessoas, sem contar
todas as que já passaram por aqui.
Quantas vezes ouvimos ou dizemos: “como este mundo é pequeno”? É a expressão
de surpresa ao encontrarmos alguém conhecido em lugares distantes do nosso
berço, fruto da nossa vocação para a convivência.
Mas, quando olhamos para a longa caminhada humana, percebemos que esse
“mundo pequeno” é, na verdade, um palco imenso para o desejo humano de explorar
e superar desafios.
Tudo começou na África há cerca de 300
mil anos. Foi ali que surgiram os primeiros Homo
sapiens, que por cerca de 200 mil anos desenvolveram habilidades
essenciais, especialmente a inteligência, marco do que se convencionou chamar
de Revolução Cognitiva.
Entre todos os animais, o ser humano é o único que conseguiu, por seus
próprios meios, alcançar todos os continentes. Outros, como ratos, baratas e
moscas, também se espalharam pelo mundo, mas pegando carona.
Os deslocamentos começaram quando os grupos humanos perceberam que a
convivência de muitos indivíduos em um mesmo território gerava tensões:
disputas por recursos e conflitos de poder. Descobriram que esses grupos não
podiam ultrapassar além de 150 indivíduos. No limite, parte do grupo, os mais
jovens, partia em busca de novas terras. Assim teve início a grande migração
humana, um processo que se estendeu por cerca de 100 mil anos.
Graças ao desenvolvimento da inteligência, esses desbravadores foram capazes
de se adaptar aos mais diversos ambientes, superar adversidades e sobreviver
com base na caça, na pesca e nos recursos naturais disponíveis. Esse modo de
vida perdurou até a chamada Revolução Agrícola, há cerca de 10 mil anos, que
possibilitou o surgimento das primeiras cidades e deu início ao processo
civilizatório.
No fim das contas, não estamos aqui por acaso. E nada disso foi fácil.






