É instigante refletir sobre por que a futilidade e o comportamento de manada frequentemente gozam de maior preferência do que o conhecimento. Contudo, essa dinâmica não é fruto do acaso.
O cérebro humano, por natureza, busca a economia de recursos.
Exercícios como o pensamento crítico, a pesquisa e a análise aprofundada exigem
um esforço mental significativo e um alto consumo de energia. Em contrapartida,
informações simples, curtas, repetitivas ou puramente sensoriais exigem um
dispêndio glicêmico menor, tornando-se mais "atraentes" para um
sistema que prioriza a eficiência energética.
Além da inércia mental, há o fator social: o desejo de
pertencimento. O consumo de conteúdos virais e memes funciona como um código de
conduta que permite às pessoas sentirem-se integradas a determinados grupos.
Nesse cenário, a necessidade de aceitação social acaba, muitas vezes, superando
o compromisso com a qualidade da informação ou com a verdade.
A manutenção dessa superficialidade serve a dois grandes motores:
As Redes Sociais: Programadas para capturar a nossa atenção por meio da dopamina,
essas plataformas priorizam conteúdos que geram reações viscerais — indignação,
riso, surpresa ou fofoca. O engajamento é o único critério de sucesso.
As Estratégias Políticas: Partidos e lideranças utilizam informações de alto impacto para
manter seus apoiadores engajados, frequentemente desconstruindo adversários em
vez de debater projetos reais. Isso retira do debate público o interesse pelas
pautas estruturais que realmente impactam o país, o estado ou o município.
Embora preocupante, a "imbecilidade" fomentada pelas
redes sociais tem prazo de validade. À medida que o tempo avança, esses
conteúdos de baixo nível perdem credibilidade e não resistem ao escrutínio da
história. Nada supera o conhecimento e a cultura que, apesar de exigirem maior
esforço e profundidade, resistem há milhares de anos.






