Itapira enfrenta um momento de reflexão profunda sobre os rumos de seu desenvolvimento econômico e social. O cenário que se desenha não é apenas de desaceleração, mas de um distanciamento preocupante em relação ao ritmo de crescimento registrado pelo Estado de São Paulo e pelo restante do país.
O remédio para essa situação, longe de ser simples,
depende acima de tudo da capacidade de reação da própria sociedade itapirense.
Os
reflexos da perda de dinamismo da economia local tornaram-se cada vez mais
evidentes. Os indicadores apontam para um cenário de crescente preocupação e
acendem um importante sinal de alerta. Entre os principais deles, destacam-se:
A expressiva retração do Índice de Participação dos
Municípios resultou em uma perda acumulada de aproximadamente R$ 42 milhões
em repasses nos últimos dois anos. Esse recuo evidencia a perda de
competitividade frente aos municípios vizinhos da Baixa Mogiana e ao cenário
estadual.
A última
atualização do Caged revelou um forte contraste. Desde junho de 2023, o número
de trabalhadores com carteira assinada aumentou 9,8% no Brasil e 8,2% no Estado
de São Paulo. Em Itapira, entretanto, o crescimento foi de apenas 3,9%,
elevando o total de empregos formais de 23 mil para 24 mil vínculos ativos.
Enquanto o país e o estado aceleraram a criação de
vagas, a evolução proporcional de Itapira ficou na metade do ritmo nacional,
refletindo as dificuldades das empresas locais para expandir suas operações em
um ambiente desafiador.
Se o desempenho das empresas já instaladas inspira
cuidados, a análise da atividade empreendedora revela um quadro ainda mais
sintomático. Os números comparativos entre 2023 e 2025 demonstram uma perda
clara de ritmo na abertura de novos negócios:
|
Região |
Crescimento de Empresas Ativas (2023 a
2025) |
|
Brasil |
Aproximadamente 20% (de 20,8 mi
para 25 mi) |
|
Estado de São Paulo |
Cerca de 27% (de 6,6 mi para 8,4
mi) |
|
Itapira |
Inferior a 10% (de 10,1 mil para
pouco mais de 11 mil) |
Enquanto o
estado ampliava sua base de negócios de
forma expressiva, Itapira viu sua taxa de crescimento estacionar na metade da
média brasileira.
Evidentemente, a administração pública municipal
possui parcela significativa de responsabilidade nesse contexto. Cabe ao poder
público fomentar um ambiente favorável aos investimentos, desburocratizar
processos, estimular o empreendedorismo e criar condições estruturais para
atrair novas empresas e reter as já existentes.
O mínimo esperado para uma cidade com o potencial
de Itapira seria acompanhar, ainda que com moderação, o dinamismo econômico
paulista e brasileiro.
Não será
surpresa se Itapira reviver os anos 1970 e 1980, quando muitos jovens que
concluíam o Ensino Médio e precisavam ingressar no mercado de trabalho eram
obrigados a deixar a cidade em busca de oportunidades de emprego.
Quando essa distância econômica aumenta ano após
ano, a sensação é de que o município caminha sob suporte artificial. A cidade
continua respirando, mas com menos fôlego, distanciando-se do compasso de
desenvolvimento de outras regiões.
Contudo, o sinal mais alarmante não é apenas o
econômico, mas o comportamental. A redução da capacidade empreendedora
transmite um sintoma de desânimo coletivo, como se parte da população estivesse
deixando de acreditar no futuro do próprio município.
Quando uma comunidade perde a confiança em sua
própria força, o perigo deixa de ser apenas financeiro e passa a ser a resignação
— o risco silencioso de desistir de inovar, investir e crescer. A reação de
Itapira, portanto, exige tanto políticas públicas assertivas quanto o resgate
da autoestima e da crença no potencial local.
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