sexta-feira, 1 de maio de 2026

A Crise Sem Fim: O que resta para a Santa Casa após o rompimento com a Unimed?

 


Quando a Unimed iniciou suas atividades na região, o SUS ainda não existia. Havia uma demanda latente por modelos de assistência médica privada devido à precariedade do sistema público da época. Embora o SUS tenha sido instituído pela CF88, sua consolidação levou mais de uma década.


Nesse contexto, a Unimed expandiu-se para Itapira. O credenciamento de médicos locais e da Santa Casa atraiu empresas da cidade, que passaram a oferecer planos corporativos a seus colaboradores. Em pouco tempo, a Unimed tornou-se a operadora com o maior número de usuários no município.


A crise na Santa Casa, contudo, é crônica. Nos anos 90, o cenário foi marcado pelo embate político de Barros Munhoz contra o corpo clínico: “os médicos detinham o controle não apenas técnico, mas também administrativo da instituição, dificultando o atendimento público”.


Dessa contenda, e como estratégia de longo prazo, nasceu o Hospital Municipal de Itapira. Hoje, a unidade é uma realidade que assegura atendimento gratuito para todos os itapirenses. No entanto, a fragilidade financeira da Santa Casa continuou.


Em 2013, o agravamento da crise levou o Dr. Pacheco e a Dra. Katia a assumirem a gestão com a missão de "colocar a casa em ordem". A nova administração focou em: injeção direta de recursos; articulação política com Barros Munhoz para obter complementos de verba estadual; reformas internas para conter sangrias financeiras.


Uma mudança histórica dessa gestão foi o fim da exclusividade da Unimed. Até então, a Santa Casa não abria espaço para outras operadoras. Novos convênios foram credenciados, diversificando a receita. Contudo, o fôlego foi temporário: os problemas estruturais retornaram.


A nota oficial recentemente divulgada pela Santa Casa sugere que a iniciativa de não renovar o contrato partiu da Unimed, embora deixe as portas abertas para uma futura repactuação. Enquanto isso, muita gente será prejudicada. Os motivos reais por trás do rompimento permanecem nos bastidores.


Diante de um histórico administrativo conturbado e agora desprovida de uma de suas fontes de faturamento mais consistentes, a resiliência da centenária Santa Casa de Itapira passa a ser vista com ceticismo por muitos.