Se somos ramos de uma mesma raiz ancestral e compartilhamos o
mesmo sangue, por que a humanidade floresceu em tantas gradações de tons de
pele?
Estamos em plena Festa de São Benedito, a tradicional
"Festa de Maio" ou "Festa do 13". Nela, unimos a devoção ao
santo negro, protetor dos oprimidos, à memória da abolição da escravidão,
ocorrida em 13 de maio de 1888.
Embora o Brasil reconheça que a escravidão é a mancha mais
perversa de sua história, um sistema que explorou mais de 4 milhões de
africanos por quase quatro séculos, a ferida ainda está longe de cicatrizar.
Nas senzalas, sob jornadas exaustivas e castigos cruéis, a sobrevida de um
adulto mal chegava aos dez anos após o início do trabalho forçado. Mesmo diante
desse horror histórico, ainda testemunhamos o racismo e a ilusão da supremacia
branca, como se a concentração de melanina fosse, de alguma forma, um marcador
de valor humano.
O senso comum insiste em dividir o mundo em cores: preto para
africanos, amarelo para asiáticos, vermelho para indígenas e branco para
europeus, utilizando a pigmentação como justificativa para o conceito obsoleto
de "raças". No entanto, a genética é categórica: somos 99,9%
idênticos.
A ínfima variação de 0,1% é fruto exclusivo da adaptação evolutiva
ao longo de milênios. O clima moldou nossa aparência: a pele escura protegeu
nossos ancestrais da radiação solar intensa, enquanto a pele clara facilitou a
síntese de vitamina D em regiões de baixa luminosidade. Em suma, o tom da pele
nunca foi um degrau de hierarquia, mas um ajuste biológico para a sobrevivência
em diferentes latitudes.
Como se vê, o racismo carece de qualquer base biológica ou
científica; ele é uma construção alimentada por fatores históricos, culturais e
psicológicos. Ele se manifesta no preconceito individual e se entranha em leis
e instituições. Reconhecer nossa igualdade biológica é o primeiro passo para
honrar a história daqueles que vieram antes de nós.
Salve São Benedito!
