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terça-feira, 29 de julho de 2025

Lixo na rua, saúde ameaçada!


Após ler e reler o item principal da Nota Oficial sobre a coleta de lixo — publicada pela Prefeitura na semana passada —, fiquei perplexo. Como é possível?

Transcrevo o trecho em questão: "Dos quatro caminhões da empresa atualmente responsável pelo serviço, apenas dois estão em funcionamento. Os demais estão parados devido a problemas mecânicos, sem previsão de retorno pela contratada."

Será que a empresa contratada possui apenas quatro caminhões? Como foi aprovada em um contrato público nessas condições?

Ninguém exigiu um plano para situações de pane mecânica?

O que significa "sem previsão de retorno"? Não há oficinas em Itapira capazes de fornecer um prazo mínimo?

Por que a Prefeitura permite que a empresa trate o município com tamanho descaso, sem penalidades ou soluções ágeis?

Quem elaborou e aprovou esse contrato?

O pior! Essa mesma empresa — ou seus responsáveis sob outra razão social —  pode voltar a prestar serviços na cidade (ou em outras), com a conivência da administração municipal, repetindo os mesmos erros. O que está por trás disso?

Falhas constantes, caminhões quebrados, sem perspectiva de conserto, escancaram incompetências gritantes. Como evitar que novos contratos perpetuem esse ciclo? Quem poderá nos defender?

A coleta de lixo é um serviço essencial de saúde pública. Sua falha: atrai vetores de doenças (ratos, mosquitos); contamina solo, água e ar; coloca em risco a saúde dos coletores e deixa a cidade com aparência negligenciada — suja, malcheirosa e abandonada.

Até quando Itapira tratará o lixo como um problema qualquer?



sexta-feira, 14 de março de 2025

Coleta de Lixo: vamos trocar seis por meia dúzia?

A prefeitura de Itapira anunciou, no mês passado, uma nova licitação para substituir a empresa responsável pela coleta de lixo, devido a falhas constantes. Dado o histórico, podemos esperar sucesso da nova contratada?

Antes dos anos 90, a terceirização de serviços essenciais era rara nos municípios brasileiros. Com a onda privatista, que prometia melhor qualidade e custos reduzidos, muitos prefeitos aderiram à prática em setores-chave.

A alta demanda atraiu empresários desonestos, gerando uma máfia que corrompe servidores e prefeitos. O crime organizado e políticos corruptos logo viram nisso uma oportunidade para lavagem de dinheiro. Embora não se deva generalizar, a honestidade nessas áreas tornou-se rara, e muitas empresas estão sob investigação do Ministério Público e da Polícia Federal.

Os serviços terceirizados têm sido criticados pela população por sua baixa qualidade, como ocorre com a coleta de lixo em nossa cidade. Esperar que a próxima empresa vencedora cumpra o contrato com a prometida eficiência parece otimista.

Com a insatisfação popular, aumentam os pedidos nas redes sociais para a municipalização dos serviços de coleta de lixo. Talvez a solução esteja no equilíbrio.

Um departamento pequeno, com um coordenador especializado, poderia terceirizar a mão de obra e alugar equipamentos, mantendo a prefeitura responsável pela qualidade. Essa ideia poderia reduzir custos e melhorar a eficiência.

A redução do lixo e o aumento da reciclagem são essenciais. Contudo, as empresas terceirizadas lucram com o volume coletado. Para elas, mais lixo significa mais lucro, o que nos coloca em um dilema.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Mas é Carnaval...

Para quem tem mais de cinquenta anos, o carnaval de outrora, aquele que pulsava com vigor e autenticidade, parece ter perdido seu brilho, restando apenas um misto de saudosismo e esforços para reavivar memórias de tempos dourados.

O carnaval, com suas raízes que se entrelaçam entre práticas pagãs e a tradição cristã de celebração antes da quaresma, é uma das mais expressivas festas populares globais. Marcado por uma explosão de música, dança, cores vibrantes e uma sensação de liberdade irrestrita, ele ainda resplandece em muitas cidades brasileiras que preservaram a cultura e a história, como o Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Olinda, além de outras localidades menores que mantêm vivas suas tradições.

Em 2025, estima-se que mais da metade da população brasileira, cerca de 120 milhões de pessoas, se envolverá nos festejos carnavalescos. Isso contrasta com os anos 70, por exemplo, quando o número não ultrapassava 30 milhões, refletindo uma população majoritariamente rural e com acesso limitado a tais celebrações.

A transformação do carnaval é um ponto de convergência para a minha geração: a percepção de que a festa perdeu qualidade. Contudo, é natural que os interesses culturais da sociedade evoluam com o tempo. Nos anos 70, o carnaval era um evento central, uma vez que as opções de entretenimento eram mais restritas. Atualmente, ele surge quase como uma surpresa inesperada. De repente!

Antigamente, o carnaval funcionava como uma válvula de escape, um momento em que as rigidezes familiares, as tensões sociais e políticas eram temporariamente suspensas, permitindo expressões e interações que rompiam com a monotonia do cotidiano. Era um período de reinicialização, um recarregar das energias para o ano que se seguiria. Hoje, com avanços nas relações familiares, maior abertura nos relacionamentos humanos e a vivência em um ambiente democrático, esses aspectos perderam relevância no contexto carnavalesco.

A música "Noite dos Mascarados" (1967), de Chico Buarque, encapsula com precisão a essência do carnaval de antigamente: "Mas é Carnaval. Não me diga mais quem é você. Amanhã tudo volta ao normal. Deixa a festa acabar. Deixa o barco correr."

domingo, 16 de fevereiro de 2025

O problema do lixo em Itapira

O tema é persistente e causa frequente descontentamento: a coleta de lixo doméstico, um serviço essencial, frequentemente não é realizada conforme o esperado. A empresa contratada para essa função não cumpre suas obrigações, um problema que, infelizmente, não é exclusividade local. A questão que se impõe é: até quando essa situação perdurará?

Em Itapira, outrora a coleta de lixo era gerida diretamente pela prefeitura. Naquela época, qualquer interrupção no serviço refletia imediatamente na responsabilidade do prefeito, o que, evidentemente, tornava as falhas menos comuns.

Com a terceirização dos serviços, um mecanismo amplamente adotado pelas prefeituras nos últimos anos, a figura do prefeito foi, de certa forma, blindada das reclamações diretas. Setores cruciais como gestão de lixo, limpeza pública, transporte urbano, saúde e fornecimento de merenda escolar foram transferidos para o setor privado. Embora essa estratégia tenha aliviado a pressão sobre os prefeitos, ela introduziu incertezas e preocupações para os cidadãos. Passados um quarto de século, os problemas não só persistem como se agravam.

Além da má qualidade, foram abertas brechas para irregularidades como superfaturamento, uso de cargos para fins eleitorais, contratações fictícias e desvio de recursos públicos. Como se não bastasse, o crime organizado infiltrou-se nesse cenário, envolvendo-se em atividades ilícitas como lavagem de dinheiro e financiamento de campanhas políticas, com o intuito de expandir sua influência.

Enquanto isso, muitas prefeituras parecem inerte em aprimorar os editais de licitação e os contratos, de modo a selecionar melhor as empresas e estabelecer cláusulas que garantam soluções eficazes para cobrir eventuais lacunas. A incompetência seria a explicação para essa inação? Ou existem outros fatores subjacentes que perpetuam esse ciclo vicioso?

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Quem merece, fica. Quem não merece, tchau!

 

Na Câmara Municipal de Itapira, está em discussão um projeto de resolução que sugere um aumento salarial de 88% para os vereadores.

É compreensível que a sociedade questione os políticos, especialmente quando eles aprovam medidas que lhes dão vantagens, algo que a maioria dos cidadãos não pode usufruir. É frequente ver políticos buscando cargos e benefícios de forma excessiva e, em alguns casos, aceitando subornos em troca de seus votos ou apoio. Imagem negativa que eles carregam há anos. Mas será que apenas criticar é suficiente, ou estamos mirando nos alvos errados?

É adequado que os vereadores recebam salários? No passado, os vereadores não eram remunerados, o que limitava a representação, pois apenas aqueles com recursos financeiros e tempo disponível podiam se candidatar. Sem remuneração, a maioria da população não tinha voz nem era atendida em suas necessidades. Portanto, a remuneração é essencial para ampliar a representatividade.

O salário dos vereadores é alto? O trabalho de um vereador não se resume às sessões legislativas. Vereadores dedicados se esforçam bastante, estando sempre à disposição da população, que muitas vezes só neles encontra apoio. Além disso, eles se dedicam a estudos legislativos e atividades de fiscalização.

Um aumento de 88% seria exagerado? Levando em consideração que o último reajuste foi em 2014 e analisando os índices de inflação e projeções, um aumento de 88% parece estar dentro de um limite razoável. Democracia tem custo.

O problema não está em questionar, mas em reclamar da maneira errada ou na hora errada. Fazemos isso há anos e nada muda. O que um político teme não é a crítica ou a prisão, mas perder a eleição e o poder. Por isso, não podemos deixar de acompanhar suas ações, principalmente nos assuntos mais importantes, como fazem os países mais desenvolvidos.

Espera-se que um vereador trabalhe em benefício da população, não apenas praticando assistencialismo. Devemos manter um olhar crítico constante.

Na eleição deste ano, Itapira reelegeu 8 dos 10 vereadores, um indicativo de alto índice de aprovação. O vereador tem um patrão: o eleitor. Se o projeto for aprovado, será um sinal de que os reeleitos acreditam ser merecedores. A palavra final é do patrão, em 2028, será o momento certo para a avaliação sobre o merecimento e decidir quem merece ficar e quem deve ser substituído. É assim que deve ser! Ou não?