segunda-feira, 2 de março de 2026

Por que a imbecilidade vicia?



É instigante refletir sobre por que a futilidade e o comportamento de manada frequentemente gozam de maior preferência do que o conhecimento. Contudo, essa dinâmica não é fruto do acaso.

O cérebro humano, por natureza, busca a economia de recursos. Exercícios como o pensamento crítico, a pesquisa e a análise aprofundada exigem um esforço mental significativo e um alto consumo de energia. Em contrapartida, informações simples, curtas, repetitivas ou puramente sensoriais exigem um dispêndio glicêmico menor, tornando-se mais "atraentes" para um sistema que prioriza a eficiência energética.

Além da inércia mental, há o fator social: o desejo de pertencimento. O consumo de conteúdos virais e memes funciona como um código de conduta que permite às pessoas sentirem-se integradas a determinados grupos. Nesse cenário, a necessidade de aceitação social acaba, muitas vezes, superando o compromisso com a qualidade da informação ou com a verdade.

A manutenção dessa superficialidade serve a dois grandes motores:

As Redes Sociais: Programadas para capturar a nossa atenção por meio da dopamina, essas plataformas priorizam conteúdos que geram reações viscerais — indignação, riso, surpresa ou fofoca. O engajamento é o único critério de sucesso.

As Estratégias Políticas: Partidos e lideranças utilizam informações de alto impacto para manter seus apoiadores engajados, frequentemente desconstruindo adversários em vez de debater projetos reais. Isso retira do debate público o interesse pelas pautas estruturais que realmente impactam o país, o estado ou o município.

Embora preocupante, a "imbecilidade" fomentada pelas redes sociais tem prazo de validade. À medida que o tempo avança, esses conteúdos de baixo nível perdem credibilidade e não resistem ao escrutínio da história. Nada supera o conhecimento e a cultura que, apesar de exigirem maior esforço e profundidade, resistem há milhares de anos.