sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Carnaval: Amor & Ódio

 



Desde que me conheço por gente, o Carnaval é daqueles temas que despertam paixões positivas e negativas. Sem grandes alaridos, quem gostava, curtia; quem não gostava, fugia. Ultimamente, os avessos à folia criticam, apontam mil defeitos e tentam convencer os foliões a banirem o evento.

Da minha parte, não troco os carnavais das marchinhas e das pantomimas nos desfiles de rua de Itapira pelo Carnaval da atualidade. Nem poderia ser diferente; afinal, o hiato temporal alcança 50 anos. Mas reconheço que isso não me dá o direito de condenar a festa de hoje em dia.

Nos anos 70, com o Brasil sob ditadura militar, o Carnaval era uma "válvula de escape". Um período em que muitos desejos contidos e condenados pela sociedade recebiam uma anistia ampla, geral e irrestrita. Hoje, vivemos em uma democracia e a hipocrisia social perdeu relevância. Mas, então, qual seria o motivo de tanta gente se sentir incomodada com a folia?

Eu diria que é difícil, para alguns, entender as mudanças geracionais. Antigamente, um estilo musical, uma moda ou um conceito duravam pelo menos um ano; hoje, dependendo do caso, não duram um mês. Por isso, o acompanhamento é difícil e gera perda de referência dos rituais que dão sentido às nossas vidas.

Há quem decrete que o Carnaval morreu. No entanto, quando comparamos o número de pessoas envolvidas dos anos 70 para cá, o público aumentou em 1.000%, enquanto a população apenas dobrou. Só a cidade de São Paulo deve reunir de 15 a 20 milhões de foliões. Se antes o Rei Momo reinava por quatro ou cinco dias, hoje o reinado dura quase um mês. Naquela época, os pontos altos eram a alegria, o sentimento de liberdade e o movimento. Agora, o retorno econômico ocupa o primeiro lugar na lista.

Queiramos ou não, o Carnaval é o espelho da sociedade brasileira. Como o Brasil mudou drasticamente de 1970 para cá, a maior festa popular do mundo não ficaria parada no tempo só para agradar à minha geração. Se antes era uma festa coletiva, mas de forte apelo individual, hoje é uma indústria de entretenimento.

O Carnaval continua "parando o país". A diferença é que, antes, a gente vivia; hoje, a gente também consome. De preferência, sem ódio!