segunda-feira, 9 de março de 2026

O golpe do IPTU!


Após analisar o sistema que estabeleceu o valor do IPTU 2026, não encontro outra palavra para definir o ataque contra inúmeros contribuintes itapirenses que não seja "golpe".

 

Pressionado por uma calamidade financeira e pela dificuldade em atender às demandas básicas da cidade, o município colocou a busca por receita no radar. Com um cadastro imobiliário desatualizado, a gestão enxergou ali o caminho mais curto para "engordar" o cofre público.

 

Em 2025, a prefeitura contratou uma empresa para realizar um levantamento aerofotogramétrico e recalcular o valor venal dos imóveis. Até esse ponto, o procedimento seria padrão, não fosse a pressa para aplicar a nova cobrança. Um levantamento dessa magnitude exige responsabilidade e tempo. Contudo, o que se viu foi a entrega de uma "solução rápida" — possivelmente baseada em inteligências artificiais imprecisas para o cálculo de áreas construídas —, gerando relatórios com inconsistências que serviram de base para a emissão dos carnês.

 

Ao detectar divergências nas áreas, o correto seria confrontar visualmente as fotos de cada imóvel com as fichas de cadastro. Em caso de dúvida, uma equipe deveria ser enviada para a constatação in loco. Nada disso ocorreu.

 

O resultado foi o setor de Cadastro inundado por reclamações. Para lidar com o caos, adotou-se a infeliz estratégia de colocar um funcionário da própria empresa que cometeu os erros para atender o público. Pior ainda: passou-se a exigir que o contribuinte arque com o ônus da prova.

 

Quem percebeu a falha buscou solução. Mas e os milhares que não notaram o equívoco e pagarão valores indevidos? Projetei os números: considerando um reajuste médio anual de 5% sobre um valor excedente de R$ 1.000,00, em dez anos o prejuízo acumulado para o bolso do cidadão será de aproximadamente R$ 13.000,00. Isso é justo?

 

A única maneira de afastar a pecha de "golpe" deste processo seria a revisão imediata e de ofício de todos os casos com áreas divergentes. É preciso estabelecer a realidade dos fatos e compensar devidamente quem foi cobrado injustamente.

 

Em tempo: O meu IPTU estava errado. Reclamei e foi corrigido.