O escândalo
envolvendo Vorcaro vem sendo apontado como um dos maiores crimes financeiros do
Brasil, enraizado nas entranhas da política e do Judiciário tupiniquim.
Que ninguém se
engane: casos semelhantes são uma constante no país, e a maioria sequer chega
ao conhecimento público. Este, ao menos, não está totalmente encoberto. Há uma
chance real de que, desta vez, a jiripoca piar.
Minha mãe costumava
dizer que nada na vida é 100% ruim. Sempre há um lado positivo — se não para
todos, ao menos para alguns. No caso do banqueiro, o lado bom pode, paradoxalmente,
ser coletivo.
O grande problema
dos escândalos sempre esteve na investigação. Além da astúcia dos autores em
esconder provas, muitas apurações foram, ao longo do tempo, direcionadas ou
limitadas ou silenciadas por interesses políticos comprometidos com as próprias
irregularidades.
Instituições como a
Polícia Federal e o Ministério Público, que constitucionalmente são órgãos de
Estado, e não de governo, nem sempre atuaram com a independência que se espera.
Em outros tempos, delegados ou dirigentes que contrariavam interesses eram
prontamente substituídos. Hoje, ainda que não se possa afirmar que essa
autonomia seja plena, há sinais de evolução institucional.
Não devemos
alimentar a ilusão de que, mesmo com punições exemplares, o país será passado a
limpo. Isso é impossível. A decência de uma nação não se impõe por decreto; ela
é resultado da convergência de valores e atitudes da maioria da população.
Corrupção e ética
não são fenômenos exclusivos de governantes, legisladores ou magistrados. São,
antes de tudo, reflexos do comportamento coletivo. Trata-se de uma construção
lenta, muitas vezes dolorosa, que acompanha o amadurecimento da sociedade ao
longo do tempo.
Esse processo é
gradual, mas pode sofrer impulsos em momentos de crise. Já vivemos outros
escândalos, avançamos, ainda que de forma insuficiente, e seguimos com um longo
caminho a percorrer. Dada a magnitude do caso Master, e dependendo da
profundidade das investigações e de suas consequências, é possível dar mais um
passo relevante nesse processo de amadurecimento.
Eis, portanto, o
lado bom.
@ninomarcati
