sábado, 28 de março de 2026

O caso Master tem um lado bom. Duvida?

 


O escândalo envolvendo Vorcaro vem sendo apontado como um dos maiores crimes financeiros do Brasil, enraizado nas entranhas da política e do Judiciário tupiniquim.

Que ninguém se engane: casos semelhantes são uma constante no país, e a maioria sequer chega ao conhecimento público. Este, ao menos, não está totalmente encoberto. Há uma chance real de que, desta vez, a jiripoca piar.

Minha mãe costumava dizer que nada na vida é 100% ruim. Sempre há um lado positivo — se não para todos, ao menos para alguns. No caso do banqueiro, o lado bom pode, paradoxalmente, ser coletivo.

O grande problema dos escândalos sempre esteve na investigação. Além da astúcia dos autores em esconder provas, muitas apurações foram, ao longo do tempo, direcionadas ou limitadas ou silenciadas por interesses políticos comprometidos com as próprias irregularidades.

Instituições como a Polícia Federal e o Ministério Público, que constitucionalmente são órgãos de Estado, e não de governo, nem sempre atuaram com a independência que se espera. Em outros tempos, delegados ou dirigentes que contrariavam interesses eram prontamente substituídos. Hoje, ainda que não se possa afirmar que essa autonomia seja plena, há sinais de evolução institucional.

Não devemos alimentar a ilusão de que, mesmo com punições exemplares, o país será passado a limpo. Isso é impossível. A decência de uma nação não se impõe por decreto; ela é resultado da convergência de valores e atitudes da maioria da população.

Corrupção e ética não são fenômenos exclusivos de governantes, legisladores ou magistrados. São, antes de tudo, reflexos do comportamento coletivo. Trata-se de uma construção lenta, muitas vezes dolorosa, que acompanha o amadurecimento da sociedade ao longo do tempo.

Esse processo é gradual, mas pode sofrer impulsos em momentos de crise. Já vivemos outros escândalos, avançamos, ainda que de forma insuficiente, e seguimos com um longo caminho a percorrer. Dada a magnitude do caso Master, e dependendo da profundidade das investigações e de suas consequências, é possível dar mais um passo relevante nesse processo de amadurecimento.

Eis, portanto, o lado bom.

@ninomarcati