domingo, 8 de março de 2026

Por que a inferioridade feminina não é um 'acaso'...


Os últimos cem anos marcam a reação feminina contra milênios de submissão ao masculino. Barreiras foram superadas, mas a sobrecarga doméstica, a exploração sexual e o feminicídio — frutos de um machismo persistente — ainda imperam.

Muitos atribuem a suposta inferioridade feminina a um "fato biológico". Nada disso! Desde que os primeiros Homo sapiens surgiram na Terra, fatores patriarcais, econômicos e ideológicos jogaram a favor dos homens. Nas comunidades primitivas, o gênero masculino assumiu, muitas vezes pela força, os espaços de poder e decisão. Estabeleceu-se o homem como provedor, limitando a mulher ao ambiente doméstico e à reprodução. Com a Revolução Agrícola, há cerca de 10 mil anos, o trabalho masculino passou a ser valorizado na esfera pública, enquanto o feminino foi confinado à esfera privada.

O estabelecimento da propriedade privada consolidou essa estrutura. Diante da necessidade de transmitir heranças aos descendentes masculinos, cravou-se a subordinação feminina, intensificando o controle sobre o corpo e a sexualidade da mulher. Com o advento da filosofia, pensadores elaboraram teorias sobre a "desigualdade natural dos sexos", classificando a mulher como um ser passional e inferior — ideias que legitimaram o machismo na cultura ocidental.

As tradições judaico-cristãs e outras religiões reforçaram essa hierarquia. Eva, por exemplo, narrada no Gênesis como criada a partir da costela de Adão, personifica a ideia de inferioridade e de uma missão servil ao seu "superior". Ela tornou-se um dos pilares míticos do machismo ao ser retratada como a figura desobediente que, ao ceder à serpente, provocou a expulsão do paraíso e a introdução do pecado no mundo.

Outros fatores compõem essa longa caminhada, mas eles não isentam o homem da responsabilidade — e muito menos do "pecado" da omissão e das práticas violentas que, ainda hoje, estampam os noticiários diariamente. Ironicamente, como se fosse um "castigo" para a sociedade, as mulheres vêm provando, em todas as posições que ocupam, que se não estivessem sob o jugo da desigualdade, o mundo seria um lugar muito melhor.