Está aberta, desde quinta-feira (17), a concorrência pública para a
exploração comercial do Mercado Municipal de Itapira. O espaço, embora
revitalizado, ainda está na fase final da reforma, iniciada no começo de 2023.
Os interessados têm até o dia 20 de outubro para apresentar suas propostas.
Se tudo der certo, em 2027 teremos, finalmente, um mercadão para chamar
de nosso.
O objetivo
é claro: não se trata de recriar o mercado do passado, mas de concebê-lo nos
moldes contemporâneos. A proposta deve ir além do comércio tradicional,
oferecendo uma experiência diferenciada que combine diversidade, conforto e
qualidade, transformando a visita em um programa de lazer. O edital prevê
atividades como choperias, cafés, bares, restaurantes, rotisserias,
sorveterias, adegas, docerias e empórios.
Contudo, o
documento deixa lacunas importantes. Não há menção ao comércio de produtos
religiosos, artigos populares, queijos, especiarias, pescados ou serviços de
conveniência — nichos que enriqueceriam a oferta. Outra ausência relevante são
os hortifrutigranjeiros. Seria desejável o acesso diário a produtos frescos,
direto dos produtores, em contraste com o modelo atual de feiras limitadas a
poucos dias da semana.
Há, ainda, duas palavras essenciais que o edital
omite, mas que deveriam orientar o processo: criatividade
e qualidade. O desafio é conceber um espaço que atraia pelo
prazer, pela experiência e pela descoberta de algo único. Não interessa a
Itapira que o novo mercado se transforme em um “cortiço comercial”, concorrendo
de forma predatória com o comércio tradicional.
O verdadeiro desafio da administração pública é
garantir que o local se sustente com excelência, fazendo jus ao vultoso
investimento. Se bem gerido, o Mercado Municipal poderá se transformar em um
polo de fomento econômico, atraindo turistas, aumentando a circulação de
pessoas no centro da cidade, fortalecendo, inclusive, o comércio da região e,
quem sabe, abrindo espaço para manifestações culturais. Quando todos ganham, o
sucesso deixa de ser promessa e vira realidade.
