quinta-feira, 23 de julho de 2026

Quem tem medo de ser enterrado vivo, levanta o dedo!

 



Há medos que a modernidade devia ter enterrado junto com a lâmpada a óleo e a carruagem. Mas o pavor de acordar do lado de dentro de uma caixa de madeira, a dois metros da luz do dia, parece imune ao progresso.

A ciência jura de pé junto que isso ficou no passado. Fala em exames minuciosos, morte encefálica confirmada em carimbo duplo por dois médicos distintos, eletroencefalogramas, protocolos rigorosos... A teoria é impecável. A prática, no entanto, insiste em dar umas escorregadas capazes de gelar a espinha de qualquer um.

Veja o caso recente do bebê de apenas um mês em Rio Claro. O hospital seguiu o rito, cumpriu a burocracia, assinou os papéis e deu a vida por encerrada. O corpo foi liberado. A história teria chegado ao seu fim, não fosse a funcionária da funerária. Ao iniciar os preparativos, ela notou que o pequeno ainda respirava: um sopro de vida ignorado pela medicina. O bebê foi socorrido a tempo.

Não foi um sobressalto isolado. Da poeira de Presidente Prudente (SP) às praias de Cidreira (RS), passando pelas ladeiras de Ipatinga (MG), o roteiro se repete com uma frequência incômoda. É o idoso que volta a respirar na mesa de preparação, a senhora que resolve dar sinais de vida a minutos do funeral, a mulher que desperta e começa a se mexer no momento exato em que as flores estão sendo arranjadas. Na Tailândia, a coisa tomou ares de filme de suspense: uma mulher começou a esmurrar a tampa do caixão quando já se aproximava, a poucos centímetros, das chamas da câmara de cremação.

Esse pavor não é de hoje e já fez a engenhosidade humana produzir loucuras fascinantes. No século XIX, inventores ganhavam a vida projetando os "caixões de segurança" — parafernálias equipadas com tubos de respiração, cordas e sinos na superfície. A ideia era simples: se você acordasse em um lugar estreito e fechado, bastava puxar um cordão para acionar um alarme.

Um ex-prefeito de Dourados (MS) mandou construir um jazigo equipado com uma linha telefônica instalada na parede do túmulo. O caixão tinha engenharia própria para ser aberto por dentro e a gaveta contava com dutos de ar. A ideia era clara: se o destino lhe pregasse uma peça, ele empurraria a tampa, pegaria o gancho e ligaria para a família. Quando o político finalmente partiu desta para a melhor, os parentes honraram a vontade dele, mas o telefone não foi usado.

A verdade é que a medicina avançou e a chance de um diagnóstico errado é matematicamente quase nula. Mas, por garantia, não custa pedir aos familiares e amigos que façam aquela última pergunta ao médico: "O senhor tem certeza, doutor?" — ou, ainda, encarregar alguns para que chamem o VAR da funerária.