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segunda-feira, 2 de novembro de 2026

A violência política assusta Itapira

 



No último fim de semana, Itapira assistiu estarrecida a mais um lamentável episódio de violência política: após um bate-boca, dois adultos agrediram um idoso de 70 anos.

Discutir política faz parte da nossa tradição, mas agressão física é crime. Causar danos à saúde ou integridade de um idoso enquadra-se no Artigo 129 do Código Penal, com pena agravada pela idade da vítima. Pelo Estatuto da Pessoa Idosa, a ação penal é pública e incondicionada — o Ministério Público tem o dever de agir sem depender da autorização da vítima ou de sua família.

Injustificável sob qualquer pretexto, a agressão física se torna ainda mais estarrecedora quando acompanhada pela conivência e pelo apoio prestado aos agressores.

Embora casos semelhantes venham sendo relatados nas redes sociais locais e nas nossas ruas, essa intolerância não é exclusiva de Itapira. Segundo o estudo “Medo do Crime e Eleições” (FBSP/Datafolha), cerca de 60% dos brasileiros têm medo de sofrer violência física por suas posições políticas — índice que chega a 65% entre as mulheres.

A realidade, porém, é subnotificada. As ONGs Terra de Direitos e Justiça Global registraram 134 episódios de violência política no primeiro turno (um a cada 9 horas), com duas mortes. No segundo turno, o cenário agravou-se: o Ministério da Justiça contabilizou 45 ocorrências graves a partir de 24 de outubro, culminando em 10 mortes.

Paralelamente, o ambiente corporativo registrou um salto inédito de assédio. O Ministério Público do Trabalho (MPT) acumulou 3.396 denúncias de assédio eleitoral em 2026 — quase metade nos três dias após o segundo turno. São Paulo liderou o ranking, seguido por Minas Gerais e Paraná.

Historicamente, a violência política no Brasil concentrava-se em disputas entre elites, repressão estatal ou eliminação de lideranças. O cidadão comum raramente era alvo. Nos últimos anos, porém, o extremismo migrou para o cotidiano, atingindo vizinhos, amizades, colegas de trabalho e familiares em discussões banais motivadas unicamente por posicionamento político.

Essa escalada é alimentada por lideranças que recusam o resultado das urnas e insuflam teses de fraude. Sentindo-se enganada, a militância perde a racionalidade. Mesmo com a vitória de Lula reconhecida por 112 países (incluindo França, Alemanha, China, EUA e Japão) e órgãos como ONU, UE e OEA, o candidato derrotado persiste em discursos sem provas, inflamando radicais.

Torcer por uma candidatura faz parte da democracia. No entanto, recusar a vitória legítima do adversário atenta contra o próprio regime democrático — e, quando a civilidade cede espaço ao radicalismo, as consequências tornam-se imprevisíveis para toda a sociedade.