segunda-feira, 13 de abril de 2026

Ah! Como este mundo é pequeno.

 


Quando eu era criança, Itapira era o meu mundo. Depois da minha primeira viagem a São Paulo com minha mãe, passando por Mogi Mirim e Campinas, meu mundo cresceu aos meus olhos.

Com as imagens captadas da Lua, tornou-se evidente o quão pequeno é o nosso planeta. Tão pequeno que, se um alienígena desavisado o avistasse à distância, dificilmente imaginaria que aqui vivem mais de 8 bilhões de pessoas, sem contar todas as que já passaram por aqui.

Quantas vezes ouvimos ou dizemos: “como este mundo é pequeno”? É a expressão de surpresa ao encontrarmos alguém conhecido em lugares distantes do nosso berço, fruto da nossa vocação para a convivência.

Mas, quando olhamos para a longa caminhada humana, percebemos que esse “mundo pequeno” é, na verdade, um palco imenso para o desejo humano de explorar e superar desafios.

Tudo começou na África há cerca de 300 mil anos. Foi ali que surgiram os primeiros Homo sapiens, que por cerca de 200 mil anos desenvolveram habilidades essenciais, especialmente a inteligência, marco do que se convencionou chamar de Revolução Cognitiva.

Entre todos os animais, o ser humano é o único que conseguiu, por seus próprios meios, alcançar todos os continentes. Outros, como ratos, baratas e moscas, também se espalharam pelo mundo, mas pegando carona.

Os deslocamentos começaram quando os grupos humanos perceberam que a convivência de muitos indivíduos em um mesmo território gerava tensões: disputas por recursos e conflitos de poder. Descobriram que esses grupos não podiam ultrapassar além de 150 indivíduos. No limite, parte do grupo, os mais jovens, partia em busca de novas terras. Assim teve início a grande migração humana, um processo que se estendeu por cerca de 100 mil anos.

Graças ao desenvolvimento da inteligência, esses desbravadores foram capazes de se adaptar aos mais diversos ambientes, superar adversidades e sobreviver com base na caça, na pesca e nos recursos naturais disponíveis. Esse modo de vida perdurou até a chamada Revolução Agrícola, há cerca de 10 mil anos, que possibilitou o surgimento das primeiras cidades e deu início ao processo civilizatório.

No fim das contas, não estamos aqui por acaso. E nada disso foi fácil.