Sou do tempo em que Itapira sofria com faltas de água durante o
dia e cortes de energia à noite. Havia até uma quadrinha que a meninada da
minha rua entoava: "Itapira, cidade que reluz: de dia falta água, de
noite falta luz".
Hoje, felizmente, salvo exceções, o abastecimento de água e
energia não sofre cortes sistêmicos. No entanto, a população reclama, com
razão, do descuido generalizado. Basta um giro rápido e aleatório pelas ruas
para detectar problemas que poderiam ser resolvidos com maior agilidade e eficiência.
A falta d’água da minha infância deu lugar a uma abundância
irônica: os diversos vazamentos encontrados pelo caminho. O "precioso
líquido", que poderá faltar nos tempos de seca, escorre pelo ralo sem
cerimônia.
Já a escuridão daqueles tempos virou um "pisca-pisca"
urbano. É difícil trafegar à noite sem notar postes cujas lâmpadas em fim de vida útil
sinalizam a urgência de troca. Já presenciei casos em que a substituição excedeu duas semanas de
espera.
Até os anos 70, a periferia era chão de terra; enfrentava-se pó,
buracos, lama e as famosas "costelas de vaca". Hoje, com quase 100%
das ruas pavimentadas, os buracos persistem e, em muitos pontos, o acúmulo de
terra faz a poeira se levantar como antigamente.
Na era dos paralelepípedos, era comum ver servidores municipais
com pequenos arrancadores retirando o mato entre as pedras. Hoje, mesmo com
asfalto, ervas daninhas proliferam nas sarjetas e o mato passa do ponto em
espaços públicos.
Não resta dúvida de que as atribuições de um prefeito vão além da
zeladoria; sua função é, antes de tudo, cuidar das pessoas. Mas "tenho cá
com meus botões" que, quando se cuida mal do básico, o complexo
dificilmente recebe a atenção que merece.
Daqui a dois anos, escolheremos um novo prefeito. Tomara que os
candidatos apresentem, acima de qualquer habilidade técnica, a disposição
genuína de serem cuidadores. Afinal, a cidade deve ser agradável aos olhos e
aos sentimentos. Em um ambiente limpo e organizado, nossa tendência é
preservá-lo; diante da desordem, o impulso de muitos é desorganizar ainda mais.
