Você já reparou que, na sala
de espera de um consultório, meia hora parece uma eternidade, mas, em uma boa
conversa, o mesmo tempo voa? Onde reside, afinal, a “magia” do tempo?
Tive apenas dois relógios de
pulso na vida. O último abandonei aos quinze anos e nunca mais o recuperei.
Talvez eu quisesse que as horas corressem com mais liberdade. Notava algo
curioso: sempre que eu consultava o relógio durante uma tarefa, a primeira
metade do percurso parecia se arrastar; já a segunda, quando eu finalmente
esquecia as horas, parecia encurtar.
Apesar da imensidão do
universo, o tempo como o conhecemos, fatiado em segundos, minutos e anos, é uma
convenção humana, moldada pelos ritmos de rotação e translação da Terra. Em
outro planeta, sob outra cadência astral, nossa experiência cronológica seria
radicalmente distinta.
Na filosofia, as
perspectivas se dividem: há quem sustente que apenas o presente é real, pois o
passado é memória e o futuro é projeção. Para outros, as três dimensões
coexistem em um fluxo contínuo, como se o tempo fosse uma grande estrada e nós,
meros passageiros atravessando paisagens já existentes.
Já a psicologia revela que
nossa percepção está amarrada à forma como o cérebro processa novidades. Quanto
mais experiências inéditas vivemos, mais o tempo se expande em nossa memória.
Por outro lado, a rotina faz os dias evaporarem. É por isso que o caminho de
volta de uma viagem parece sempre mais curto que o de ida: no retorno, o
cérebro já reconhece o percurso e "economiza" atenção, acelerando a
sensação do trajeto.
Como canta Gilberto Gil em Tempo
Rei: “Não me iludo / Tudo permanecerá do jeito que tem sido /
Transcorrendo, transformando / Tempo e espaço navegando todos os sentidos.”
