terça-feira, 17 de novembro de 2020

Declaração de Voto

 


Não sem razão, é mania nacional crucificar os políticos brasileiros. Tudo bem, temos esse direito. Mas será que não estamos deixando de lado um fato inquestionável. O de que não existe um único político, de vereador a presidente da república, que tenha conquistado sua posição, sem o beneplácito dos eleitores? Seríamos, então, inocentes, coniventes, ignorantes, medíocres, hipócritas ou, simplesmente, sem noção da importância e responsabilidade do voto dado? Lamentavelmente, admitindo que estamos certos quanto à crucificação generalizada dos políticos, certamente nos enquadramos em pelo menos uma dessas categorias. E podemos nos considerar justos quando as críticas abarcam todos os políticos e nos colocando 100% inocentes, coniventes, ignorantes, medíocres, hipócritas e sem noção? Há exceções, não na quantidade que desejamos.  

Democracia e depuração do voto depende de nós, depende da prática, depende da continuidade, depende do tempo e da tradição. 

O voto no Brasil começou cedo, trinta e dois anos depois do Descobrimento, aqui no Estado de São Paulo, mais precisamente, a cidade de São Vicente quando ela ainda era uma capitania. O voto, naquela época, era para poucos e o que definia a condição de poder votar era a renda que o indivíduo apresentava, fato que não impedia que as falcatruas eleitorais corressem soltas. Como República, o voto deixou de ser vinculado à renda mínima, mas excluía os menores de 21 anos, as mulheres, os analfabetos, os soldados rasos, os indígenas e os integrantes do clero. Cerca de 10% da população decidia os destinos do Brasil, mas o voto continuava não sendo levado tão a sério para muita gente. As mulheres conquistaram o direito ao voto só em 1932, ano em que foi instituído, também, o voto secreto. Só em 1955 o título eleitoral ganhou foto para identificar o eleitor, fato que melhorou a qualidade das votações, mas não inibiu a ocorrência de fraudes.

Depois de várias restrições ao voto impostas pela ditadura militar, quebrando a evolução da prática eleitoral, em 1982 voltamos a eleger o governador do estado e os prefeitos dos municípios até então considerados como área de segurança nacional, entre estes, os nossos vizinhos do circuito das águas. Em 1989, reconquistamos o direito de eleger o presidente da república e abrimos espaço para os maiores de 16 anos e analfabetos. Só depois de 457 anos depois da nossa primeira experiência eleitoral alcançaríamos o status de voto universal puro. Fazendo as contas, galgamos esta posição há menos de trinta anos.

Fiz esse rápido resumo para mostrar que a nossa relação com o voto e com a escolha dos nossos dirigentes é extremamente verde quando comparada com as grandes democracias mundiais, que coincidentemente reúnem os países mais desenvolvidos. No entanto, se passamos a maior parte da nossa história convivendo com eleições fraudadas, nos últimos vinte e quatro anos, depois das urnas eletrônicas, nem uma única prova foi apresentada que pudesse macular os resultados apurados e a proclamação dos eleitos.

Por tudo isso e muito mais é que resolvi chamar a atenção daqueles que me honram com a leitura deste texto para a importância deste domingo, 15 de novembro de 2020, ao escolhermos o prefeito e os vereadores que conduzirão os destinos de Itapira no quadriênio 2021/2024. O futuro do nosso município depende dessa escolha, uma responsabilidade que é nossa, acertando ou errando.

O voto é livre e um direito. A minha escolha, por exemplo, priorizará critérios importantes para a vida da comunidade, associados à vocação política, à qualificação para o cargo, à vontade competente para dar conta do recado e entrega, daqui há quatro anos, de uma Itapira melhor para todos.   Por isso, votarei no candidato a prefeito que me parece ser o mais honesto, que tem seu histórico de vida imaculado, estrutura para bem administrar e olhos voltados para o futuro. Quem se preocupa com o futuro, cuida bem do presente. Para vereador, dentre tantas boas opções segundo as minhas avaliações, votarei em um candidato que nunca recebeu meu voto. Um cidadão que surpreendeu minhas expectativas tanto profissionais como políticas e, por acreditar, que ele estará entre os futuros líderes desta cidade, independente do seu sucesso nas urnas, este ano.

Eu nunca disse e nunca direi que o povo não sabe votar ou que o voto é sempre um ato inconsciente. Cada um vota de acordo com a sua visão de mundo e com ela a identificação com os candidatos escolhidos. É verdade que os discursos, nem sempre convergentes, muitas vezes desconexos, influenciam as nossas escolhas não tão bem pensadas. Por isso a importância da prática do voto, da incorporação histórica dos candidatos, das pessoas que os cercam em associação à nossa capacidade de pensar no sentido coletivo e a longo prazo.

Que todos tenham um bom voto neste domingo.