Não sem razão, é mania nacional crucificar
os políticos brasileiros. Tudo bem, temos esse direito. Mas será que não
estamos deixando de lado um fato inquestionável. O de que não existe um único
político, de vereador a presidente da república, que tenha conquistado sua
posição, sem o beneplácito dos eleitores? Seríamos, então, inocentes,
coniventes, ignorantes, medíocres, hipócritas ou, simplesmente, sem noção da
importância e responsabilidade do voto dado? Lamentavelmente, admitindo que
estamos certos quanto à crucificação generalizada dos políticos, certamente nos
enquadramos em pelo menos uma dessas categorias. E podemos nos considerar
justos quando as críticas abarcam todos os políticos e nos colocando 100% inocentes,
coniventes, ignorantes, medíocres, hipócritas e sem noção? Há exceções, não na
quantidade que desejamos.
Democracia e depuração do voto
depende de nós, depende da prática, depende da continuidade, depende do tempo e
da tradição.
O voto no Brasil começou cedo,
trinta e dois anos depois do Descobrimento, aqui no Estado de São Paulo, mais
precisamente, a cidade de São Vicente quando ela ainda era uma capitania. O
voto, naquela época, era para poucos e o que definia a condição de poder votar era
a renda que o indivíduo apresentava, fato que não impedia que as falcatruas
eleitorais corressem soltas. Como República, o voto deixou de ser vinculado à
renda mínima, mas excluía os menores de 21 anos, as mulheres, os analfabetos, os
soldados rasos, os indígenas e os integrantes do clero. Cerca de 10% da
população decidia os destinos do Brasil, mas o voto continuava não sendo levado
tão a sério para muita gente. As mulheres conquistaram o direito ao voto só em
1932, ano em que foi instituído, também, o voto secreto. Só em 1955 o título
eleitoral ganhou foto para identificar o eleitor, fato que melhorou a qualidade
das votações, mas não inibiu a ocorrência de fraudes.
Depois de várias restrições ao
voto impostas pela ditadura militar, quebrando a evolução da prática eleitoral,
em 1982 voltamos a eleger o governador do estado e os prefeitos dos municípios
até então considerados como área de segurança nacional, entre estes, os nossos
vizinhos do circuito das águas. Em 1989, reconquistamos o direito de eleger o
presidente da república e abrimos espaço para os maiores de 16 anos e
analfabetos. Só depois de 457 anos depois da nossa primeira experiência
eleitoral alcançaríamos o status de voto universal puro. Fazendo as contas, galgamos
esta posição há menos de trinta anos.
Fiz esse rápido resumo para
mostrar que a nossa relação com o voto e com a escolha dos nossos dirigentes é
extremamente verde quando comparada com as grandes democracias mundiais, que
coincidentemente reúnem os países mais desenvolvidos. No entanto, se passamos a
maior parte da nossa história convivendo com eleições fraudadas, nos últimos
vinte e quatro anos, depois das urnas eletrônicas, nem uma única prova foi
apresentada que pudesse macular os resultados apurados e a proclamação dos
eleitos.
Por tudo isso e muito mais é que
resolvi chamar a atenção daqueles que me honram com a leitura deste texto para
a importância deste domingo, 15 de novembro de 2020, ao escolhermos o prefeito
e os vereadores que conduzirão os destinos de Itapira no quadriênio 2021/2024. O
futuro do nosso município depende dessa escolha, uma responsabilidade que é nossa,
acertando ou errando.
O voto é livre e um direito. A
minha escolha, por exemplo, priorizará critérios importantes para a vida da
comunidade, associados à vocação política, à qualificação para o cargo, à
vontade competente para dar conta do recado e entrega, daqui há quatro anos, de
uma Itapira melhor para todos. Por
isso, votarei no candidato a prefeito que me parece ser o mais honesto, que tem
seu histórico de vida imaculado, estrutura para bem administrar e olhos voltados
para o futuro. Quem se preocupa com o futuro, cuida bem do presente. Para
vereador, dentre tantas boas opções segundo as minhas avaliações, votarei em um
candidato que nunca recebeu meu voto. Um cidadão que surpreendeu minhas
expectativas tanto profissionais como políticas e, por acreditar, que ele
estará entre os futuros líderes desta cidade, independente do seu sucesso nas
urnas, este ano.
Eu nunca disse e nunca direi que
o povo não sabe votar ou que o voto é sempre um ato inconsciente. Cada um vota
de acordo com a sua visão de mundo e com ela a identificação com os candidatos
escolhidos. É verdade que os discursos, nem sempre convergentes, muitas vezes
desconexos, influenciam as nossas escolhas não tão bem pensadas. Por isso a
importância da prática do voto, da incorporação histórica dos candidatos, das
pessoas que os cercam em associação à nossa capacidade de pensar no sentido
coletivo e a longo prazo.
Que todos tenham um bom voto
neste domingo.