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sexta-feira, 17 de abril de 2026

Tempo Rei e os Passageiros do Agora


 

Você já reparou que, na sala de espera de um consultório, meia hora parece uma eternidade, mas, em uma boa conversa, o mesmo tempo voa? Onde reside, afinal, a “magia” do tempo?

 

Tive apenas dois relógios de pulso na vida. O último abandonei aos quinze anos e nunca mais o recuperei. Talvez eu quisesse que as horas corressem com mais liberdade. Notava algo curioso: sempre que eu consultava o relógio durante uma tarefa, a primeira metade do percurso parecia se arrastar; já a segunda, quando eu finalmente esquecia as horas, parecia encurtar.

 

Apesar da imensidão do universo, o tempo como o conhecemos, fatiado em segundos, minutos e anos, é uma convenção humana, moldada pelos ritmos de rotação e translação da Terra. Em outro planeta, sob outra cadência astral, nossa experiência cronológica seria radicalmente distinta.

 

Na filosofia, as perspectivas se dividem: há quem sustente que apenas o presente é real, pois o passado é memória e o futuro é projeção. Para outros, as três dimensões coexistem em um fluxo contínuo, como se o tempo fosse uma grande estrada e nós, meros passageiros atravessando paisagens já existentes.

 

Já a psicologia revela que nossa percepção está amarrada à forma como o cérebro processa novidades. Quanto mais experiências inéditas vivemos, mais o tempo se expande em nossa memória. Por outro lado, a rotina faz os dias evaporarem. É por isso que o caminho de volta de uma viagem parece sempre mais curto que o de ida: no retorno, o cérebro já reconhece o percurso e "economiza" atenção, acelerando a sensação do trajeto.

 

Como canta Gilberto Gil em Tempo Rei: “Não me iludo / Tudo permanecerá do jeito que tem sido / Transcorrendo, transformando / Tempo e espaço navegando todos os sentidos.”