Ao
longo da minha vida, desde a infância, tive a companhia de muitos gatos, todos
eles desfrutando de liberdade para explorar os arredores. Eram aventureiros por
natureza e frequentemente desapareciam por até uma semana. Infelizmente, nem
todos voltavam. A rotina exigia que cada um deles recebesse um banho de vez em
quando, algo que eles odiavam.
Ollie,
nossa gata mestiça de siamesa, foi adotada de uma ONG local aos seis meses de
idade, trazendo consigo as marcas de maus-tratos sofridos. Até os dias de hoje,
ela demonstra insegurança na presença de estranhos, retirando-se rapidamente.
Apenas quando reconhece um rosto amigo é que ela se permite reaparecer.
Diferentemente
de seus predecessores, Ollie, que está prestes a completar sete anos, não tem
acesso à rua nem perambula pelos telhados. A castração foi realizada no momento
adequado, assegurando-lhe uma vida mais tranquila e segura dentro de casa.
Banhos com água não fazem parte de sua rotina, já que ela se mantém
impecavelmente limpa e sem odores. A única manutenção necessária é a escovação
diária, um compromisso do qual ela mesma nos faz lembrar, como se possuísse um
relógio interno.
Aprendi
que gatos saudáveis, de pelo curto e que vivem exclusivamente em ambiente
doméstico, como Ollie, não necessitam de banhos, pois utilizam a textura áspera
da língua para remover impurezas dos pelos e da pele. Esta higiene, que ocupa
de 10 a 12 horas por dia, também proporciona uma massagem, melhora a circulação
sanguínea e distribui uniformemente os óleos naturais produzidos pelas
glândulas sebáceas, resultando em uma pelagem brilhante e saudável. Como se
sabe, esse ritual de lambedura oferece momentos de relaxamento e alongamento.
Por outro lado, gatos de pelo longo ou com condições de saúde específicas, ou
que possuem liberdade para suas 'expedições' noturnas, podem precisar de
banhos, de acordo com as diretrizes do veterinário.
Há
pessoas que não apreciam gatos. Natural! Afinal, cada um escolhe suas
preferências. Contudo, observo que muitos baseiam-se em crenças ultrapassadas e
falta de informação. Para os ailurófilos, os gatos são a personificação de
elegância, mistério e independência. Podem parecer interesseiros e ariscos, mas
revelam-se adoráveis e simpáticos. Ágeis por natureza, demonstram uma
inteligência perspicaz e uma teimosia encantadora. A principal característica é
o desejo de estar no centro das atenções, sempre.
