No mundo contemporâneo, milhões enfrentam a amarga realidade dos golpes, perpetrados por indivíduos tecnicamente astutos que exploram vulnerabilidades em tecnologia e redes sociais. Desde os menos experientes até os mais cautelosos, ninguém está imune. Fraudes via WhatsApp, telefone, SMS, e falsas ofertas de presentes, cartões de crédito, empregos e cursos são alarmantemente comuns.
No Brasil, o quadro é grave:
estima-se que 25% dos cidadãos tenham sofrido perdas financeiras nos últimos
doze meses, um número que não inclui os casos subnotificados. Diante dessa
escalada de engodos digitais, torna-se imperiosa a adoção de uma postura vigilante,
a promoção de uma educação financeira e digital e a prática de sempre verificar
informações por fontes confiáveis.
Contudo, nenhum golpe iguala-se
em gravidade ao golpe de estado, que atinge as entranhas da democracia
nacional. Episódios como a "Noite da Agonia" no período imperial, a
antecipação da "Declaração da Maioridade" para evitar a autonomia
política, e a Proclamação da República, que encerrou a monarquia, são marcos
sombrios.
A Revolução de 1930, bloqueando a
posse de Júlio Prestes, pavimentou o caminho para Getúlio Vargas. O
"Estado Novo" em 1937, sob o falso pretexto de combater o comunismo,
instaurou uma ditadura. O golpe de 1964, que depôs João Goulart, iniciou uma
ditadura militar que durou até 1985.
Recentemente, após as eleições de
2022, protestos com tons golpistas, apoiados por militares da reserva e grupos
civis, culminaram nos lamentáveis eventos de 8 de janeiro de 2023. Essa análise
histórica evidencia a intervenção recorrente das Forças Armadas na política
brasileira.
É complexo conjecturar como seria
o Brasil sem essas intervenções, mas observa-se que nações onde a soberania
civil predominou tendem a ter desenvolvimento social e econômico mais robusto e
estável. A história ensina que a verdadeira prosperidade não se sustenta na
imposição de uma minoria, mas sim no respeito ao processo democrático e à
vontade popular.
O Brasil ocupa a posição de
décima maior economia mundial, o que sugere que a qualidade de vida da maioria
de seus cidadãos poderia ser superior. Contudo, a disparidade econômica é
evidente: apenas 1% dos mais abastados controla cerca de metade da riqueza do
país, ao passo que 70% da população subsiste com rendimentos inferiores a dois
salários-mínimos, sendo que, desse grupo, 28% se encontram abaixo do limiar da
pobreza.
