segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

De golpe em golpe, quem enche o papo?

No mundo contemporâneo, milhões enfrentam a amarga realidade dos golpes, perpetrados por indivíduos tecnicamente astutos que exploram vulnerabilidades em tecnologia e redes sociais. Desde os menos experientes até os mais cautelosos, ninguém está imune. Fraudes via WhatsApp, telefone, SMS, e falsas ofertas de presentes, cartões de crédito, empregos e cursos são alarmantemente comuns.

No Brasil, o quadro é grave: estima-se que 25% dos cidadãos tenham sofrido perdas financeiras nos últimos doze meses, um número que não inclui os casos subnotificados. Diante dessa escalada de engodos digitais, torna-se imperiosa a adoção de uma postura vigilante, a promoção de uma educação financeira e digital e a prática de sempre verificar informações por fontes confiáveis.

Contudo, nenhum golpe iguala-se em gravidade ao golpe de estado, que atinge as entranhas da democracia nacional. Episódios como a "Noite da Agonia" no período imperial, a antecipação da "Declaração da Maioridade" para evitar a autonomia política, e a Proclamação da República, que encerrou a monarquia, são marcos sombrios.

A Revolução de 1930, bloqueando a posse de Júlio Prestes, pavimentou o caminho para Getúlio Vargas. O "Estado Novo" em 1937, sob o falso pretexto de combater o comunismo, instaurou uma ditadura. O golpe de 1964, que depôs João Goulart, iniciou uma ditadura militar que durou até 1985.

Recentemente, após as eleições de 2022, protestos com tons golpistas, apoiados por militares da reserva e grupos civis, culminaram nos lamentáveis eventos de 8 de janeiro de 2023. Essa análise histórica evidencia a intervenção recorrente das Forças Armadas na política brasileira.

É complexo conjecturar como seria o Brasil sem essas intervenções, mas observa-se que nações onde a soberania civil predominou tendem a ter desenvolvimento social e econômico mais robusto e estável. A história ensina que a verdadeira prosperidade não se sustenta na imposição de uma minoria, mas sim no respeito ao processo democrático e à vontade popular.

O Brasil ocupa a posição de décima maior economia mundial, o que sugere que a qualidade de vida da maioria de seus cidadãos poderia ser superior. Contudo, a disparidade econômica é evidente: apenas 1% dos mais abastados controla cerca de metade da riqueza do país, ao passo que 70% da população subsiste com rendimentos inferiores a dois salários-mínimos, sendo que, desse grupo, 28% se encontram abaixo do limiar da pobreza.