Dizem que todo político precisa ser “cara de pau”.
Dizem, também, que político
precisa ser esperto, inteligente e, principalmente, convicto do bem que
produziu durante o seu mandato.
Apesar de eu não concordar
totalmente com esse perfil, muitos políticos brasileiros fazem sucesso
exatamente por reunir esses atributos.
Durante 28 anos, Itapira
presenciou sete posses de prefeito. Excluindo a última, todas as demais
contaram praticamente com os mesmos personagens.
Em cada posse, havia a certeza,
por parte dos eleitos, assessores e torcedores, de que a população havia tomado
a decisão correta ao manter a continuidade do “progresso” da nossa terra.
Durante todo esse período,
“Itapira prosperou, cresceu, tornou-se uma das melhores cidades do país para se
viver — justa e linda”. Nossas receitas e despesas sempre foram aprovadas pelo
tribunal de contas, muitas vezes com louvor (?). As dívidas dos “outros
municípios” eram sempre maiores. Itapira experimentou, nesse período, “um
progresso jamais imaginado”. As verbas destinadas à cidade “não eram
conquistadas pela maioria dos outros municípios”, porque aqui tínhamos um
“superprefeito”, um “superpolítico”.
Na maior parte desses 28
anos, Itapira viveu numa espécie de ilha da fantasia, distante dos problemas
brasileiros. Se aqui estava ruim, “lá fora era muito pior”. O “superprefeito”
cuidava muito bem de todos nós e nos protegia dos “maus itapirenses”, que
insistiam em acabar com esse progresso, fazendo uma “oposição mesquinha, contra
o povo de Itapira”.
Encerrar esse ciclo deveria
ser motivo de orgulho para qualquer político. Mas, ao que parece, não foi.
Os dois momentos mais
importantes da trajetória de um prefeito são a posse e a entrega do cargo ao
final do mandato.
Se a posse é importante por
representar toda a esperança depositada pelos eleitores no futuro prefeito, a
entrega do cargo representa o dever cumprido, a certeza da probidade, o
respeito ao bem público e aos desejos da população.
Ao deixar de participar da
transmissão do cargo, o ex-prefeito falhou em seu segundo maior momento.
Dizem que essa atitude foi
motivada pelo receio de vaias.
Motivo insignificante.
O povo de Itapira, ordeiro e
educado, saberia respeitar um prefeito que se limitasse a cumprir os atos
protocolares.
Respeitando, seria
respeitado.
Feliz prefeito novo.