sábado, 21 de março de 2026

Juca tudo a ver: do Italianinho ao Cidadão de Itapira

  


A arte é um caminho para a eternidade — basta que encontre abrigo no gosto das pessoas. Então, permanece.

Juca de Oliveira, ator de primeira grandeza, partiu aos 91 anos, deixando uma trajetória memorável como ator, diretor e dramaturgo no teatro, no cinema e na televisão, ao longo de quase sete décadas. Consagrado pela crítica e pelo público, gravou seu nome entre os maiores artistas do Brasil.

Conheci Juca de Oliveira pela televisão, quando eu tinha quatorze anos. Nasci e logo recebi de meu pai o “Nino”, apelido que me acompanha até hoje. Era Nino daqui, Nino dali. Tão presente era, que, quando me chamavam pelo nome de batismo, eu demorava alguns segundos para perceber que era a mim que se dirigiam. Nino não era um apelido comum. Naquele tempo, conheci apenas outra pessoa que também o usava, mas de forma menos intensa: ora era chamada pelo apelido, ora pelo nome. No meu caso, era só Nino.

Foi então que a TV Tupi de São Paulo começou a anunciar uma nova novela: “Nino, o Italianinho”. Antes mesmo da estreia, vizinhos e parentes passaram a me chamar assim nos encontros. À medida que a novela ganhava audiência e conquistava o público, o apelido composto se espalhava com ainda mais força.

Encerrada a novela, por um bom tempo — talvez por hábito — o “Nino italianinho” continuou vivo na boca de muita gente. Até hoje, vez ou outra, alguém resgata esse apelido, nascido da interpretação marcante de Juca de Oliveira.

Nasci brasileiro, mas descendo de famílias italianas, tanto pelo lado paterno quanto materno. Anos depois, tornei-me também cidadão italiano. Assim, o “Nino italianinho” começou com Juca e, de certo modo, foi confirmado pela minha própria história.

O destino quis que, mais tarde, Juca de Oliveira adotasse Itapira. Comprou uma fazenda, caminhava pelas ruas da cidade, frequentava a Praça Bernardino, saboreava o badalado café  e desfrutava de conversas despretensiosas.

Ele se foi. Mas, assim como o “Nino italianinho” se incorporou à minha vida, Juca de Oliveira se inscreveu na memória cultural do país. Diante de tantos personagens e de uma obra tão vasta, deixou sua marca — e, como toda arte verdadeira, permanecerá.


quinta-feira, 19 de março de 2026

O Verão que Não se Reconhece



O verão se despede. Nesta sexta-feira (20), ao meio-dia, o outono assume o calendário. Mas que raios de verão foi esse? Para mim, a estação sempre foi sinônimo de descontração: banhos de rio, pé na areia e o frescor da piscina. Roupas leves, janelas abertas e nada de cobertor. Havia o ritual da "chuva de fim de tarde" — aquele espetáculo previsível que lavava a calçada, trazia o cheiro de terra molhada e acalmava o asfalto para a noite.

Este que parte, porém, foi esquisito. Passou boa parte seco, exigindo um cobertor inesperado na madrugada. Em outros momentos, despejou tempestades severas que alagaram vales e soterraram morros, expondo a ferida aberta da falta de políticas públicas. Gente morrendo afogada; gente morrendo sob a terra. Antigamente, sabíamos exatamente quando a estação começava e terminava. Hoje, o horizonte é uma incerteza.

A ciência explica: mudanças climáticas e aquecimento global. O equilíbrio rompeu. Sinto que a natureza segue um roteiro sombrio, enquanto governantes priorizam os números da economia em vez da viabilidade da vida. O fato é que o aquecimento global não está apenas esquentando os dias; ele está reprogramando as estações.

O corpo não descansa mais nas "ilhas de calor", onde as mínimas da madrugada sobem mais rápido que as máximas. O ciclo hidrológico está "bombado": para cada aumento de 1°C, a atmosfera retém 7% a mais de vapor de água. O resultado? Chuvas que não refrescam, mas destroem. O que mais virá?

Imagino o Verão chegando ao hemisfério norte daqui a três meses. Ao ser recebido pela Primavera, ouvirá o deboche: "Que papelão, você não é mais o mesmo". E ele, cabisbaixo, não saberá o que responder.


terça-feira, 17 de março de 2026

Gênero e Biologia: Por que a Liberdade Individual Assusta Tanto?



Estamos diante de mais um caso em que a máscara cai entre os supostos 'defensores da liberdade'. Afinal, onde fica a liberdade de o indivíduo ser quem ele realmente é? Se voltarmos ao mito de Adão e Eva, a visão era restrita ao binarismo (tendo como base o relato bíblico). No entanto, à medida que a humanidade se expandiu e a ciência evoluiu, compreendemos que a classificação biológica é apenas o ponto de partida para uma complexa rede de identidades e orientações.


A biologia, aliás, é menos rígida do que o senso comum dita. Tomemos o útero: nem todas as mulheres nascem com esse órgão — e muitas só descobrem a condição na vida adulta. Seriam elas menos mulheres por isso? Da mesma forma, variações cromossômicas e hormonais revelam que a natureza não opera em moldes estanques. Essas nuances provam que a biologia não é uma sentença definitiva de comportamento ou identidade.


Além disso, o compromisso com causas sociais transcende o corpo. Homens podem atuar como defensores ferrenhos das pautas femininas, assim como mulheres demonstram competência superior ao representar interesses em esferas tradicionalmente masculinas.


Em suma, enquanto o sexo refere-se às características biológicas e físicas, o gênero é uma construção social, cultural e psicológica. Ele diz respeito à forma como a pessoa se sente e se projeta no mundo. São conceitos distintos que precisam ser compreendidos para que a verdadeira liberdade — aquela que não precisa de máscaras — seja respeitada.

segunda-feira, 16 de março de 2026

Brasileiro da gema aplaude e comemora!



O Brasil não levou nenhum Oscar desta vez — e isso está longe de ser uma derrota. Ao contrário: demos um passo importante diante da comunidade internacional e mostramos que a premiação de Ainda Estou Aqui não foi obra do acaso. O cinema brasileiro chegou à maioridade.

O Agente Secreto disputou como Melhor Filme Estrangeiro, mas também concorreu na principal categoria da premiação, entre dez indicados — oito americanos e um norueguês. Também figurou entre os indicados a Melhor Direção de Elenco, competindo exclusivamente com produções americanas. E, para completar, entre os indicados a Melhor Ator, apenas Wagner Moura não atuou em um filme americano.

Ou seja: o Brasil estava lá, no centro da disputa.

É natural que algumas pessoas — felizmente uma minoria — tentem diminuir esse feito. Em geral, são as mesmas que não compreendem a dimensão da cultura e seu papel estratégico no cenário internacional. Minimizar a presença brasileira nesse contexto revela também desconhecimento do que significa competir com a maior potência cinematográfica do planeta.

Hollywood construiu, ao longo de mais de um século, uma hegemonia cultural sustentada por imenso poder financeiro, tecnologia de ponta, redes globais de distribuição e uma influência simbólica que atravessa fronteiras. Concorrer em pé de igualdade nesse ambiente já é, por si só, uma conquista extraordinária.

Mais do que disputar prêmios, o cinema brasileiro mostrou que conquistou espaço, respeito e relevância no palco mais visível da indústria mundial.

E isso, gostem ou não alguns poucos, já é uma grande vitória.

Brasileiro da gema aplaude e comemora!


domingo, 15 de março de 2026

12 verdades, uma mentira

 Pessoal, resolvi propor um desafio. Tentei resgatar alguns episódios da minha trajetória e selecionei treze fatos. Todos são rigorosamente verdadeiros, exceto um. Quem quiser arriscar um palpite e tentar descobrir a mentira, sinta-se à vontade!


Conquista nas Alturas: Escalei até o cume do Pico da Forquilha, em Jacutinga, em um fôlego só, sem uma única parada para descanso.


Sob Ataque: Já fui cercado por um enxame de abelhas que cobriu minhas costas de picadas. Sorte a minha não ser alérgico, ou não estaria aqui para contar a história.


Dever de República: Em dias de geada, revezávamos quem acordaria antes do sol para regar a horta da república de estudantes e evitar que o gelo queimasse as verduras. No dia em que perdi a hora, quase fui "linchado" pelos colegas.


Turismo Inesquecível: Compramos um pacote em Pocinhos do Rio Verde anunciado no Estadão. Ao chegar, o chalé era um desastre — eu mal cabia no banheiro! Mudamos para um hotel e a viagem acabou sendo memorável.


Tensão no Ar: Estive em um voo que enfrentou uma ameaça de bomba a bordo. Posso garantir: não passava um fio de cabelo.


DJ das Antigas: Gravava músicas em fita cassete direto do alto-falante do rádio. Madrugadas em atenção absoluta para não estragar a gravação. Era o nosso "streaming" da Rádio Mundial.


Encontro com o Mestre: Em São Paulo, tive a honra de conversar por alguns minutos com Paulo Freire. Um momento que guardo com muito carinho.


Ciclos Biológicos: Nasci gordinho, tive minha fase magro, mas o tempo é implacável: acabei voltando às origens.


Desafinado: Sempre amei música, mas cantar não é minha seara. Numa missa, enquanto eu soltava a voz nos cânticos, um "amigo" sussurrou no meu ouvido: "Até aqui você desafina?".


Um Macho à Prova de Bala: Quando esse filme foi rodado em Itapira, fui convidado a atuar. Recusei ao ver o papel: ou eu matava dez pessoas, ou era uma das dez vítimas. Não aceitei nenhum dos dois.


Engenharia de Descida: Eu e um parceiro construímos um protótipo de carro de rolimã com suspensão, direção e pneus de tala larga. Éramos projetistas e pilotos de teste nas ladeiras — motor para quê?


Eureka no Escuro: Passei uma noite em claro tentando calcular um circuito eletrônico para um trabalho da faculdade. Às cinco da manhã, exausto e sem saída, desisti. Mas foi só encostar a cabeça no travesseiro que o milagre aconteceu: os cálculos começaram a girar na minha mente até a solução se montar sozinha. Pulei da cama, corri para a escrivaninha e matei a charada. Só então apaguei, com aquela sensação impagável de dever cumprido. Até hoje me impressiono com esse "estalo".


Reflexos de Ninja: Na mesa de jantar da minha avó, derrubei um copo com um movimento estabanado e o peguei no ar antes de tocar o chão. Para a família, foi milagre; para mim, puro instinto.

sexta-feira, 13 de março de 2026

Como Devolver a Vida ao Mercadão de Itapira?

 



O Mercadão é mais que um prédio; é um marco histórico que remonta a mais de um século. O espaço consolidou-se como o coração pulsante da cidade, unindo a força do campo e do comércio à tradição dos encontros geracionais.

Contudo, o cenário atual é de estagnação. Celebramos, com pesar, o segundo aniversário de sua inoperância. Silenciado por uma reforma que, embora tenha consumido vultosos recursos públicos, parece carecer de um plano de ocupação claro, o retardo na finalização das obras gera uma incerteza inevitável: afinal, qual é o destino do nosso Mercadão?

A experiência de outras cidades demonstra que mercados municipais bem-sucedidos são motores de turismo e da economia local. Eles não sobrevivem apenas da venda de produtos, mas da oferta de experiência e qualidade. Um erro fatal seria transformar o prédio reformado em um mero "puxadinho" de lojas, competindo de forma predatória com os comerciantes da Rua José Bonifácio e arredores.

A alma do novo Mercadão reside no acolhimento ao pequeno produtor, aos artesãos da culinária e aos prestadores de serviços. Imagino espaços repletos de frutas, verduras e legumes frescos; queijos diversos, defumados, especiarias, mel, cafés especiais e doces finos — unindo os sabores da nossa região aos quitutes do Sul de Minas. Uma praça de alimentação vibrante seria o coração do projeto, com pastéis fritos na hora, bolinhos e petiscos irresistíveis. Além disso, o espaço abrigaria ofícios tradicionais, como amoladores de facas e pequenos consertos, além de flores, ervas, brechós e itens religiosos. Enfim, um lugar que abraça a população em quase todas as suas necessidades.

Para viabilizar essa retomada, a gestão municipal poderia implementar concessões financeiras temporárias, incentivando os comerciantes a oferecerem preços competitivos enquanto o público redescobre o espaço.

O primeiro passo é simples e urgente: a abertura de um cadastro de interessados, priorizando, em igualdade de condições, os moradores de Itapira. É hora de devolver ao cidadão o prazer de "ir ao Mercado", garantindo que aquele patrimônio volte a pulsar com a vida, os sabores e a identidade da nossa terra.


segunda-feira, 9 de março de 2026

O golpe do IPTU!


Após analisar o sistema que estabeleceu o valor do IPTU 2026, não encontro outra palavra para definir o ataque contra inúmeros contribuintes itapirenses que não seja "golpe".

 

Pressionado por uma calamidade financeira e pela dificuldade em atender às demandas básicas da cidade, o município colocou a busca por receita no radar. Com um cadastro imobiliário desatualizado, a gestão enxergou ali o caminho mais curto para "engordar" o cofre público.

 

Em 2025, a prefeitura contratou uma empresa para realizar um levantamento aerofotogramétrico e recalcular o valor venal dos imóveis. Até esse ponto, o procedimento seria padrão, não fosse a pressa para aplicar a nova cobrança. Um levantamento dessa magnitude exige responsabilidade e tempo. Contudo, o que se viu foi a entrega de uma "solução rápida" — possivelmente baseada em inteligências artificiais imprecisas para o cálculo de áreas construídas —, gerando relatórios com inconsistências que serviram de base para a emissão dos carnês.

 

Ao detectar divergências nas áreas, o correto seria confrontar visualmente as fotos de cada imóvel com as fichas de cadastro. Em caso de dúvida, uma equipe deveria ser enviada para a constatação in loco. Nada disso ocorreu.

 

O resultado foi o setor de Cadastro inundado por reclamações. Para lidar com o caos, adotou-se a infeliz estratégia de colocar um funcionário da própria empresa que cometeu os erros para atender o público. Pior ainda: passou-se a exigir que o contribuinte arque com o ônus da prova.

 

Quem percebeu a falha buscou solução. Mas e os milhares que não notaram o equívoco e pagarão valores indevidos? Projetei os números: considerando um reajuste médio anual de 5% sobre um valor excedente de R$ 1.000,00, em dez anos o prejuízo acumulado para o bolso do cidadão será de aproximadamente R$ 13.000,00. Isso é justo?

 

A única maneira de afastar a pecha de "golpe" deste processo seria a revisão imediata e de ofício de todos os casos com áreas divergentes. É preciso estabelecer a realidade dos fatos e compensar devidamente quem foi cobrado injustamente.

 

Em tempo: O meu IPTU estava errado. Reclamei e foi corrigido.



domingo, 8 de março de 2026

Por que a inferioridade feminina não é um 'acaso'...


Os últimos cem anos marcam a reação feminina contra milênios de submissão ao masculino. Barreiras foram superadas, mas a sobrecarga doméstica, a exploração sexual e o feminicídio — frutos de um machismo persistente — ainda imperam.

Muitos atribuem a suposta inferioridade feminina a um "fato biológico". Nada disso! Desde que os primeiros Homo sapiens surgiram na Terra, fatores patriarcais, econômicos e ideológicos jogaram a favor dos homens. Nas comunidades primitivas, o gênero masculino assumiu, muitas vezes pela força, os espaços de poder e decisão. Estabeleceu-se o homem como provedor, limitando a mulher ao ambiente doméstico e à reprodução. Com a Revolução Agrícola, há cerca de 10 mil anos, o trabalho masculino passou a ser valorizado na esfera pública, enquanto o feminino foi confinado à esfera privada.

O estabelecimento da propriedade privada consolidou essa estrutura. Diante da necessidade de transmitir heranças aos descendentes masculinos, cravou-se a subordinação feminina, intensificando o controle sobre o corpo e a sexualidade da mulher. Com o advento da filosofia, pensadores elaboraram teorias sobre a "desigualdade natural dos sexos", classificando a mulher como um ser passional e inferior — ideias que legitimaram o machismo na cultura ocidental.

As tradições judaico-cristãs e outras religiões reforçaram essa hierarquia. Eva, por exemplo, narrada no Gênesis como criada a partir da costela de Adão, personifica a ideia de inferioridade e de uma missão servil ao seu "superior". Ela tornou-se um dos pilares míticos do machismo ao ser retratada como a figura desobediente que, ao ceder à serpente, provocou a expulsão do paraíso e a introdução do pecado no mundo.

Outros fatores compõem essa longa caminhada, mas eles não isentam o homem da responsabilidade — e muito menos do "pecado" da omissão e das práticas violentas que, ainda hoje, estampam os noticiários diariamente. Ironicamente, como se fosse um "castigo" para a sociedade, as mulheres vêm provando, em todas as posições que ocupam, que se não estivessem sob o jugo da desigualdade, o mundo seria um lugar muito melhor.

sexta-feira, 6 de março de 2026

 De Gênova ao Tanquinho


Mil oitocentos e noventa e dois,

Gênova se fez despedida no cais.

Deixando o ontem para viver depois,

O Brasil no horizonte, o destino dos pais.


Santa e Bonifácio, em braços de fé,

Guiando a prole, o sonho a brotar.

Sete vidas pequenas, a jornada de pé,

Cruzando o mistério do imenso mar.


Doze anos o mais velho, o fardo do início,

No colo, o caçula, um ano de luz.

Entre o medo e o destino, o doce sacrifício,

De seguir o caminho que a esperança conduz.


Partiram de onde o sol se deita cedo,

Com malas surradas e corações incertos.

Deixaram o Veneto, o monte e o medo,

Por mares bravios, destinos abertos.


O "Merica" chamava, promessa dourada,

Cruzando o Atlântico com a alma em vigor.

A despedida, a terra amada,

Trocaram pelo suor e pelo labor.


O chão de terra roxa, o sol brasileiro,

A enxada que canta na mata fechada.

O imigrante, forjando o terreiro,

Transformou em colônia a selva esquecida.


Na Fazenda do Rumo, o chão batido viu a semente,

Santa e Bonifácio, em treze filhos, o futuro à frente.

Sob o sol de café, de pés descalços, a vida a penar,

Vinte anos de labuta para o pão apenas conquistar.


O feudo vacilou, a aristocracia em declínio perdeu,

Enquanto a indústria, lá longe, outros sonhos acolheu.

Na meação, a chance; na Itapura, o novo altar,

Doze anos guardando moedas, a terra a desejar.


No Bairro do Tanquinho, a conquista enfim se fez chão,

Plantava-se de tudo, mais  tijolo da olaria e o café no beneficiar,

Parcelas quitadas, o triunfo das mãos e do coração.

Diversificaram a vida, a casa cheia pronta a se estruturar.


Os ramos se espalharam, por cidades a florescer,

Mas Itapira é a âncora, o berço onde o nome quis crescer.

Cento e trinta e quatro anos, um tempo que a história gravou,

Mais de mil e trezentos nomes, a estirpe que não se apagou.


Dos dois imigrantes, a árvore que o Brasil abençoou,

Marcati é a raiz, o fruto que a esperança legou.



segunda-feira, 2 de março de 2026

Por que a imbecilidade vicia?



É instigante refletir sobre por que a futilidade e o comportamento de manada frequentemente gozam de maior preferência do que o conhecimento. Contudo, essa dinâmica não é fruto do acaso.

O cérebro humano, por natureza, busca a economia de recursos. Exercícios como o pensamento crítico, a pesquisa e a análise aprofundada exigem um esforço mental significativo e um alto consumo de energia. Em contrapartida, informações simples, curtas, repetitivas ou puramente sensoriais exigem um dispêndio glicêmico menor, tornando-se mais "atraentes" para um sistema que prioriza a eficiência energética.

Além da inércia mental, há o fator social: o desejo de pertencimento. O consumo de conteúdos virais e memes funciona como um código de conduta que permite às pessoas sentirem-se integradas a determinados grupos. Nesse cenário, a necessidade de aceitação social acaba, muitas vezes, superando o compromisso com a qualidade da informação ou com a verdade.

A manutenção dessa superficialidade serve a dois grandes motores:

As Redes Sociais: Programadas para capturar a nossa atenção por meio da dopamina, essas plataformas priorizam conteúdos que geram reações viscerais — indignação, riso, surpresa ou fofoca. O engajamento é o único critério de sucesso.

As Estratégias Políticas: Partidos e lideranças utilizam informações de alto impacto para manter seus apoiadores engajados, frequentemente desconstruindo adversários em vez de debater projetos reais. Isso retira do debate público o interesse pelas pautas estruturais que realmente impactam o país, o estado ou o município.

Embora preocupante, a "imbecilidade" fomentada pelas redes sociais tem prazo de validade. À medida que o tempo avança, esses conteúdos de baixo nível perdem credibilidade e não resistem ao escrutínio da história. Nada supera o conhecimento e a cultura que, apesar de exigirem maior esforço e profundidade, resistem há milhares de anos.


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Carnaval: Amor & Ódio

 



Desde que me conheço por gente, o Carnaval é daqueles temas que despertam paixões positivas e negativas. Sem grandes alaridos, quem gostava, curtia; quem não gostava, fugia. Ultimamente, os avessos à folia criticam, apontam mil defeitos e tentam convencer os foliões a banirem o evento.

Da minha parte, não troco os carnavais das marchinhas e das pantomimas nos desfiles de rua de Itapira pelo Carnaval da atualidade. Nem poderia ser diferente; afinal, o hiato temporal alcança 50 anos. Mas reconheço que isso não me dá o direito de condenar a festa de hoje em dia.

Nos anos 70, com o Brasil sob ditadura militar, o Carnaval era uma "válvula de escape". Um período em que muitos desejos contidos e condenados pela sociedade recebiam uma anistia ampla, geral e irrestrita. Hoje, vivemos em uma democracia e a hipocrisia social perdeu relevância. Mas, então, qual seria o motivo de tanta gente se sentir incomodada com a folia?

Eu diria que é difícil, para alguns, entender as mudanças geracionais. Antigamente, um estilo musical, uma moda ou um conceito duravam pelo menos um ano; hoje, dependendo do caso, não duram um mês. Por isso, o acompanhamento é difícil e gera perda de referência dos rituais que dão sentido às nossas vidas.

Há quem decrete que o Carnaval morreu. No entanto, quando comparamos o número de pessoas envolvidas dos anos 70 para cá, o público aumentou em 1.000%, enquanto a população apenas dobrou. Só a cidade de São Paulo deve reunir de 15 a 20 milhões de foliões. Se antes o Rei Momo reinava por quatro ou cinco dias, hoje o reinado dura quase um mês. Naquela época, os pontos altos eram a alegria, o sentimento de liberdade e o movimento. Agora, o retorno econômico ocupa o primeiro lugar na lista.

Queiramos ou não, o Carnaval é o espelho da sociedade brasileira. Como o Brasil mudou drasticamente de 1970 para cá, a maior festa popular do mundo não ficaria parada no tempo só para agradar à minha geração. Se antes era uma festa coletiva, mas de forte apelo individual, hoje é uma indústria de entretenimento.

O Carnaval continua "parando o país". A diferença é que, antes, a gente vivia; hoje, a gente também consome. De preferência, sem ódio!

sábado, 7 de fevereiro de 2026

O furdunço do Totonho


 

Totonho está na política há meio século. Nesse período, foi prefeito, deputado estadual, secretário de Estado, ministro da República e presidente da Alesp... Por aqui, nem sempre foi vitorioso em suas indicações para a prefeitura, mas sempre "deu banho" nas eleições em que seu nome aparecia na cédula eleitoral.

 

O único opositor que conseguiu vitórias sobre o grupo liderado por Munhoz é o atual prefeito da cidade. Quis a ironia do destino que, após conquistar mais uma eleição e no meio de um inédito quarto mandato, Toninho visse seu partido, o PSD, escancarar as portas para seu grande rival.

 

Totonho — que chegou a anunciar sua aposentadoria, mas foi convencido pelo governador Tarcísio a não "pendurar as chuteiras" — entrou em 2026 a pleno vapor para mais uma empreitada eleitoral, dando um "baile" em Bellini. Não resta a menor dúvida de que, na correlação de forças, Munhoz assumirá o controle do PSD local, restando ao prefeito buscar outra legenda se desejar ter alguma influência na eleição municipal de 2028.

 

A melhor saída para Toninho e para Itapira seria a união de forças, com ambos trabalhando juntos; no entanto, ninguém acredita nessa hipótese.

 

Por outro lado, há críticas a Totonho por mais essa mudança de partido. Um amigo, em certo momento da conversa, questionou: “Por quantos partidos ele já passou? Tá certo isso?”

 

De fato, o ideal seria que o Brasil tivesse não mais que quatro grandes partidos, todos com linhas ideológicas definidas, mas não é o que ocorre. As legendas com essas características não gozam de apoio popular e, assim, prevalecem aquelas que valorizam mais os nomes conhecidos do que um programa a ser seguido. Logo, é possível dizer que, quando um político muda de partido no Brasil, ele troca seis por meia dúzia. O PSD transita entre a centro-esquerda e a centro-direita, tentando, nas eleições presidenciais deste ano, não abraçar nem Lula, nem Bolsonaro, permitindo liberdade de escolha de palanques aos seus filiados.

 

Para quem acompanha Totonho Munhoz nessa jornada cinquentenária, sabe-se que ele, no frigir dos ovos, sempre esteve em um único partido: o partido de Itapira.

 

#Política #ItapiraSP #PSD #Totonho #Bellini

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Nenhuma Ditadura é Eterna: O Clamor por Liberdade no Irã



Quando uma ditadura se instala em um país, seja ela de direita ou de esquerda, é porque o povo a aceitou passivamente ou fez vista grossa. Mas nenhuma ditadura resiste ao tempo; se fosse boa, seria eterna.

Chega um momento em que o povo, cansado, se rebela, pressiona e se manifesta de várias formas, até partir para o 'tudo ou nada', colocando a própria vida como último recurso.

O Irã vem dando sinais claros de que a ditadura dos aiatolás se esgotou. Quem não se lembra das mulheres iranianas em 2022? Após uma jovem ser detida por usar o véu de forma 'inadequada', deixando parte do cabelo à mostra, ela apareceu morta dias depois — provavelmente em decorrência de tortura. Um grande movimento de protesto tomou conta do país. O véu foi o símbolo, mas o movimento se transformou em um clamor por liberdade e direitos humanos. Contudo, a ditadura persistiu.

Agora, o povo iraniano está nas ruas novamente. Em ciclos de protestos, centenas de pessoas já perderam a vida.

As ditaduras entram na vida das pessoas oferecendo sempre um mundo melhor. Usam todas as estratégias para convencer a maioria de que a situação atual é insustentável, colocando-se como 'salvadoras da pátria', como se problemas crônicos podem ser resolvidos da noite para o dia. Muitos acreditam. Com o tempo, através da censura e da polícia armada, o povo é encurralado. A maioria torna-se alienada, enquanto uma minoria se beneficia das benesses governamentais e da corrupção, que corre solta sob o manto de uma imprensa controlada. Todas são assim, sem exceção.

Derrubar uma ditadura é um processo difícil e demorado. Somente com a insurgência popular os reais objetivos de liberdade são atingidos. Ainda é cedo para afirmar que o atual regime iraniano será abolido, mas é possível dizer que o povo está no caminho certo e que o fim dessa autocracia é uma questão de tempo.