A arte é um caminho para a
eternidade — basta que encontre abrigo no gosto das pessoas. Então, permanece.
Juca de Oliveira, ator de primeira grandeza, partiu aos 91 anos, deixando uma trajetória memorável como ator, diretor e dramaturgo no teatro, no cinema e na televisão, ao longo de quase sete décadas. Consagrado pela crítica e pelo público, gravou seu nome entre os maiores artistas do Brasil.
Conheci Juca de Oliveira pela televisão, quando eu tinha quatorze anos. Nasci e logo recebi de meu pai o “Nino”, apelido que me acompanha até hoje. Era Nino daqui, Nino dali. Tão presente era, que, quando me chamavam pelo nome de batismo, eu demorava alguns segundos para perceber que era a mim que se dirigiam. Nino não era um apelido comum. Naquele tempo, conheci apenas outra pessoa que também o usava, mas de forma menos intensa: ora era chamada pelo apelido, ora pelo nome. No meu caso, era só Nino.
Foi então que a TV Tupi de São Paulo começou a anunciar uma nova novela: “Nino, o Italianinho”. Antes mesmo da estreia, vizinhos e parentes passaram a me chamar assim nos encontros. À medida que a novela ganhava audiência e conquistava o público, o apelido composto se espalhava com ainda mais força.
Encerrada a novela, por um bom tempo — talvez por hábito — o “Nino italianinho” continuou vivo na boca de muita gente. Até hoje, vez ou outra, alguém resgata esse apelido, nascido da interpretação marcante de Juca de Oliveira.
Nasci brasileiro, mas descendo de famílias italianas, tanto pelo lado paterno quanto materno. Anos depois, tornei-me também cidadão italiano. Assim, o “Nino italianinho” começou com Juca e, de certo modo, foi confirmado pela minha própria história.
O destino quis que, mais tarde, Juca de Oliveira adotasse Itapira. Comprou uma fazenda, caminhava pelas ruas da cidade, frequentava a Praça Bernardino, saboreava o badalado café e desfrutava de conversas despretensiosas.
Ele se foi. Mas, assim como o “Nino italianinho” se incorporou à minha vida, Juca de Oliveira se inscreveu na memória cultural do país. Diante de tantos personagens e de uma obra tão vasta, deixou sua marca — e, como toda arte verdadeira, permanecerá.










