segunda-feira, 3 de outubro de 2022

A pílula do dia seguinte à eleição

O dia da eleição sempre foi e sempre será, para mim, um dia de festa. Festa da democracia. É prazeroso ver as pessoas, os eleitores, caminhando em direção aos locais de votação e se colocando em fila à espera do momento de votar, quase todos com semblante revelando seriedade no voto que dará. Em cada cabeça uma sentença à espera de que a cada escolha se revele como a escolha da maioria, acreditando ser ela o melhor para o país. A festa se consagra quando ela transcorre em clima de paz, com participação e ordem, relegando à torcida o prazo final no encerramento da votação para dar aos resultados o respeito que eles merecem. Afinal, eles revelam o desejo da maioria. Isso é democracia!

Sobre as pesquisas eleitorais cabem algumas considerações sobre as divergências entre as tendências e a apuração. Primeiramente, a de considerar que nenhuma pesquisa séria se apresenta como uma bola de cristal, antecipando a vontade popular, se assim fosse, eleições seriam totalmente desnecessárias. Mas vamos lá: as principais pesquisas registradas, por exemplo, giraram entre 48% e 50% para Lula; e, entre 36% e 40% para Bolsonaro. Considerando a margem de erro, dentro da faixa, Lula poderia ter entre 46% e 52%, teve 48,43%. Bolsonaro poderia ter entre 34% e 42%, teve 43,20%. Os institutos levantaram que entre 12% e 15% dos eleitores poderiam mudar o voto diante da urna.  Os indecisos costumam distribuir os votos de acordo com as tendências já levantadas, quem tem maior probabilidade de vencer, tende a receber o maior número de votos. Nessa eleição, os números indicam, que essa migração não ocorreu conforme a tradição. Quais seriam os motivos para essa guinada?

As pesquisas não influenciam de forma significativa o resultado, se assim fosse, nunca assistiríamos às mudanças. Elas revelam a fotografia do momento e indicam a tendência. É verdade que alguns eleitores votam naqueles que estão em primeiro, mas também é verdade que outros eleitores votam no segundo colocado para impedir que os primeiros ganhem. Os institutos não conseguem capturar as migrações das intenções que ocorrem do sábado para o domingo, assim como não podem detectar com precisão os votos brancos e nulos (este ano, 4,41%; em 2018, 8,8%) e a taxa de abstenção, este ano maior em comparação a 2018, 20,95% contra 20,3%, fatores que podem alterar os prognósticos. Mesmo considerando as divergências com significância, é preciso ressaltar que elas indicaram as tendências, apontando os dois primeiros lugares no país e nos estados, entre tantos candidatos, na maioria dos casos a partir de uma amostra que variava de dois a seis mil entrevistados num universo de mais de 156 milhões.

Aliás, nenhum candidato forte deixou de contratar institutos de pesquisa para estabelecer as estratégias de campanha como: temas a serem abordados, cidades a serem visitadas, participar ou não dos debates, quais grupos sociais devem ser atacados com prioridade etc. Portanto, candidato forte não só acredita, como usa as pesquisas para tentar ganhar a eleição.

Agora vamos para o segundo turno. Será uma nova eleição. Tanto Bolsonaro como Lula não poderão repedir as mesmas estratégias do primeiro turno, precisarão se apresentar palatáveis aos que destinaram seus votos para os outros candidatos, já que um tirar voto do outro será uma tarefa mais difícil. De onde eles tirarão os subsídios? Das pesquisas que eles contratarem.

Em suma, teremos quatro semanas de emoções fortes. Aguenta coração!