segunda-feira, 4 de outubro de 2004

QUEM PERDEU? QUEM GANHOU?

 Não me causa estranheza a tentativa do sr. prefeito, líder do atual grupo situacionista, de desqualificar a vitória do candidato da oposição.

Tenta, com ares de bom moço, passar a ideia de que não foi a oposição que venceu, mas a situação que perdeu — mais ou menos como dizer: não foi o time da oposição que jogou bem, mas o técnico da situação que fez seu time perder.

Esse é o argumento característico dos maus perdedores.

Na verdade, com esse raciocínio, o prefeito tenta escrever, de próprio punho, a história da eleição de 2004, tirando das mãos dos verdadeiros protagonistas o roteiro dos acontecimentos. Acredita, talvez na esperança de que a maioria compartilhe dessa visão, que quem escreve a história é sempre o vencedor.

Mas não foi isso o que aconteceu.

A história das eleições de 2004 foi escrita pelo povo de Itapira — sábio, corajoso, silencioso e pacífico — em perfeita sintonia com um pensamento político maduro e comprometido, em franco desenvolvimento na maior parte do Brasil. Em Itapira, como no Brasil, não há mais espaço para políticos ultrapassados.

O eleitor itapirense impôs à oposição uma vantagem expressiva nas urnas, de modo a não deixar margem para qualquer contestação duvidosa do resultado.

Após anos de domínio absoluto, o grupo situacionista sairá do poder, dando sinais de que não construiu bases sólidas ao longo de seu reinado junto à população. Com isso, poderá ter o mesmo destino do regime militar implantado no Brasil em 1964 e encerrado 21 anos depois: o esquecimento.

A OPOSIÇÃO VENCEU! Venceu porque soube encarnar, com competência, o desejo de mudança.

Um desejo presente há pelo menos 13 anos, que o principal condutor do grupo situacionista não teve sensibilidade nem capacidade de interpretar, insistindo em desenvolver a mesma ideologia política profundamente enraizada em sua personalidade.

O povo foi às urnas e disse, alto e em bom som, que tipo de política deseja para Itapira: justiça; liberdade; mais ação social; menos festas, discursos e foguetórios; serviço público enxuto e eficiente; mais união; menos amigos do rei; respeito às ideias contrárias; respeito aos opositores; descentralização do poder; autonomia administrativa dos departamentos municipais; e probidade.

Cabe agora ao novo grupo político ser fiel à mensagem das urnas, traduzindo com competência os desejos manifestados pela população e afastando, por tempo indeterminado, qualquer possibilidade de ressurreição do pensamento político ora sepultado — mesmo que isso custe a renovação com novos políticos e novas lideranças.

Assim, poderão até perder uma eleição no futuro, mas entrarão para a história como vencedores.

Que a competência demonstrada pela oposição durante a campanha eleitoral ilumine a nova administração, todos os dias.