Não me causa estranheza a tentativa do sr. prefeito, líder do atual grupo situacionista, de desqualificar a vitória do candidato da oposição.
Tenta, com ares de bom moço,
passar a ideia de que não foi a oposição que venceu, mas a situação que perdeu
— mais ou menos como dizer: não foi o time da oposição que jogou bem, mas o
técnico da situação que fez seu time perder.
Esse é o argumento
característico dos maus perdedores.
Na verdade, com esse
raciocínio, o prefeito tenta escrever, de próprio punho, a história da eleição
de 2004, tirando das mãos dos verdadeiros protagonistas o roteiro dos
acontecimentos. Acredita, talvez na esperança de que a maioria compartilhe
dessa visão, que quem escreve a história é sempre o vencedor.
Mas não foi isso o que
aconteceu.
A história das eleições de
2004 foi escrita pelo povo de Itapira — sábio, corajoso, silencioso e pacífico
— em perfeita sintonia com um pensamento político maduro e comprometido, em
franco desenvolvimento na maior parte do Brasil. Em Itapira, como no Brasil,
não há mais espaço para políticos ultrapassados.
O eleitor itapirense impôs à
oposição uma vantagem expressiva nas urnas, de modo a não deixar margem para
qualquer contestação duvidosa do resultado.
Após anos de domínio absoluto,
o grupo situacionista sairá do poder, dando sinais de que não construiu bases
sólidas ao longo de seu reinado junto à população. Com isso, poderá ter o mesmo
destino do regime militar implantado no Brasil em 1964 e encerrado 21 anos
depois: o esquecimento.
A OPOSIÇÃO VENCEU! Venceu
porque soube encarnar, com competência, o desejo de mudança.
Um desejo presente há pelo
menos 13 anos, que o principal condutor do grupo situacionista não teve
sensibilidade nem capacidade de interpretar, insistindo em desenvolver a mesma
ideologia política profundamente enraizada em sua personalidade.
O povo foi às urnas e disse,
alto e em bom som, que tipo de política deseja para Itapira: justiça;
liberdade; mais ação social; menos festas, discursos e foguetórios; serviço público
enxuto e eficiente; mais união; menos amigos do rei; respeito às ideias
contrárias; respeito aos opositores; descentralização do poder; autonomia
administrativa dos departamentos municipais; e probidade.
Cabe agora ao novo grupo
político ser fiel à mensagem das urnas, traduzindo com competência os desejos
manifestados pela população e afastando, por tempo indeterminado, qualquer
possibilidade de ressurreição do pensamento político ora sepultado — mesmo que
isso custe a renovação com novos políticos e novas lideranças.
Assim, poderão até perder uma
eleição no futuro, mas entrarão para a história como vencedores.
Que a competência demonstrada pela oposição
durante a campanha eleitoral ilumine a nova administração, todos os
dias.