Todos clamam por justiça, mas muitos podem cometer injustiças quando generalizam. A generalização, carregada de desprezo e ódio, se tornou prática frequente nos últimos tempos. Através dela as pessoas querem definir o caráter, a honestidade, o pensamento e a tendência política dos outros. Pior, quando julgam e condenam.
Nem todo jovem é vagabundo ou usuário de drogas.
Nem todo homem é safado ou violento contra as
mulheres.
Nem toda mulher é interesseira ou gastona.
Nem todo advogado é desonesto.
Nem todo juiz vende sentença.
Nem todo promotor evita casos espinhosos.
Nem todo médico só quer ganhar dinheiro.
Nem todo patrão é explorador.
Nem todo empregado faz corpo mole.
Nem todo funcionário público é corrupto.
Nem todo político é ladrão.
Nem todo cozinheiro é sujo.
Nem todo pedreiro é enrolador.
Nem todo pobre quer roubar do rico.
Nem todo preto é criminoso.
Basta imaginar o que seria deste país se as nossas generalizações representassem a maioria da população. Nem é bom pensar.
As generalizações também abarcam temas como
religião, artes, alimentação, esportes, legalização das drogas e do aborto,
identidades de gênero e por aí afora.
Quando generalizamos,
atribuímos às pessoas ou aos assuntos aquilo que imaginamos conhecer por conta
de experiências passadas, ou nem sempre, fazendo abstração a partir de detalhes
particulares não totalmente conhecidos. Generalizamos por indução de maneira
inconsciente ou de maneira deliberada.
Enfim, quando
generalizamos e ainda condenamos, a injustiça tem grande chance de estar
presente. Aquela história de “conheço o cara pela cara” é apenas uma história.