segunda-feira, 18 de novembro de 2024

A semana de quatro dias faz sentido?

O tema tem suscitado intensos debates no Brasil. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa reduzir a jornada máxima de trabalho de 44 para 36 horas semanais alcançou o número necessário de assinaturas para ser apresentada na Câmara dos Deputados. O objetivo é extinguir a possibilidade de escalas de trabalho de 6 dias seguidos por 1 de descanso, sem prejuízo dos salários e da produtividade.

Entre as 20 maiores economias que reportam à Organização Internacional do Trabalho (OIT) os dados sobre a média de horas trabalhadas por semana, 15 apresentam médias inferiores à do Brasil, sendo que 12 estão abaixo das 40 horas. Destacam-se Canadá, com 32,1 horas, e Austrália, com 32,3 horas, entre os países que já adotam jornadas semanais inferiores a 36 horas. Por outro lado, China, com 46,1 horas, e Índia, com 46,7 horas, superam significativamente a jornada brasileira. Esses dados evidenciam uma tendência mundial de diminuição da jornada de trabalho, sugerindo que as economias desses países permanecem robustas e competitivas.

No cenário brasileiro, diversas categorias já conseguiram reduzir a jornada para 40 horas, ou até mesmo para 36, 30 e 20 horas, por meio de suas convenções coletivas de trabalho. Contudo, há trabalhadores que enfrentam jornadas de mais de 50 ou 60 horas semanais, por opção.

A redução da jornada de trabalho é uma demanda urgente, especialmente ao considerarmos os impactos dos avanços tecnológicos e o aumento do desemprego, que podem agravar as desigualdades sociais. Entretanto, uma redução abrupta de oito horas na jornada poderia ter consequências negativas para o país. Uma estratégia mais viável seria a implementação de uma redução gradual ao longo de uma ou duas décadas, permitindo que trabalhadores e empresas se adaptem às mudanças de forma equilibrada.

Para pensar na cama: O economista Pedro Gomes, autor do livro "Sexta-feira é o novo sábado" e professor de economia na Universidade de Londres, argumenta que a adoção de uma semana de trabalho de quatro dias não é apenas uma questão de bem-estar, mas sim uma estratégia essencial para a sustentabilidade do capitalismo moderno.

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Celular nas Escolas proibido e o perigo à vista

A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) aprovou por unanimidade um projeto de lei que proíbe o uso de celulares em escolas públicas e privadas no estado. Essa decisão gerou grande repercussão nacional e abriu um debate na Câmara dos Deputados sobre a possibilidade de estender a proibição para todo o país.

Ainda é cedo para avaliar a eficácia dessa medida, dada a já consolidada tendência de uso excessivo de tecnologia em todas as faixas etárias.

Contudo, se a lei for bem-sucedida, podemos imaginar várias consequências: um aumento significativo nas interações face a face entre alunos, o resgate de brincadeiras e costumes que haviam caído no esquecimento, uma redução na postura de cabeça baixa que pode causar lesões na coluna cervical, um incentivo ao uso de linguagem completa em vez de abreviações digitais, um estímulo ao olhar atento para a natureza e outros detalhes do mundo ao redor, e até mesmo um retorno às formas tradicionais de paquera e relacionamento pessoal.

Essa alteração pode, em um primeiro momento, mascarar um risco considerável. Ao se reintegrarem ao ambiente real, os estudantes têm a oportunidade de redescobrir a beleza das interações humanas presenciais, em um retorno ao estilo de vida das gerações anteriores. Tal fenômeno configura um possível desafio para as redes sociais, que podem enfrentar uma redução de sua influência predominante, à medida que os jovens se dedicam mais às vivências fora do ambiente digital. Será que essa tendência pode vir a influenciar também as faixas etárias mais elevadas?

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Aquecimento Global: é assunto nosso!

 

Um estudo recente, publicado nesta segunda-feira, 11 de novembro de 2024, na prestigiosa revista "Nature Geoscience", revela que o aquecimento global causado pelas atividades humanas atingiu um ponto crítico: a marca de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram amostras de gelo extraídas do coração das geleiras antárticas. Essas amostras contêm bolhas de ar que preservam um registro histórico do nível de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, permitindo uma correlação precisa entre a concentração deste gás e as mudanças na temperatura global ao longo dos últimos milênios.

Se nenhuma medida for tomada para reverter essa tendência, enfrentaremos uma série de consequências devastadoras, incluindo ondas de calor intensas, secas prolongadas e incêndios florestais mais frequentes, tempestades severas e inundações, comprometimento da biodiversidade e dos ecossistemas, elevação do nível do mar, declínio na produtividade agrícola, impactos significativos na saúde humana, deslocamento forçado de populações e agravamento de conflitos, além de prejuízos econômicos substanciais.

Diante desse cenário alarmante, a pergunta que fica é: estaremos dispostos a permanecer inativos?

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Itapira 2025: O início de uma nova era?

A curiosidade sobre o futuro ultrapassa a fronteira da diversão; ela é essencial para a construção da realidade, influencia a maneira como nos preparamos para os desafios que ainda não conhecemos.

Na esfera política, a reflexão sobre o futuro é vital para o planejamento estratégico. É necessário prever tendências, antecipar mudanças e se preparar para cenários que podem se materializar. A política, embora baseada em lições históricas, é essencialmente uma atividade orientada para o futuro.

O deputado Barros Munhoz, após 48 anos, anunciou recentemente que se afastará dos assuntos locais e das próximas campanhas, delegando a responsabilidade para as lideranças emergentes. Disse, ainda, que continuará contribuindo com Itapira na função de deputado. Por outro lado, Toninho Bellini, único político que capturou o sentimento antitotonhista, vencendo quatro eleições, estará impedido de concorrer em 2028 devido às regras de reeleição. Esses dois fatores prometem marcar a próxima eleição municipal com mudanças significativas.

Ao analisar os resultados das urnas deste ano, muitos recados foram passados. Os futuros candidatos não poderão ignorar a crescente taxa de abstenção, que sinaliza uma insatisfação significativa com a classe política. Em Itapira, a soma de abstenções, votos brancos e nulos chegou a quase um terço do eleitorado.

As urnas mostraram que a influência dos "padrinhos", de qualquer natureza, foi irrelevante. Os potenciais candidatos devem explorar novos horizontes, promovendo uma renovação autêntica, além da mera retórica. Devem demonstrar viabilidade, competência e comprometimento bem antes do período eleitoral. É crucial que compreendam a diferença entre ser candidato e construir uma candidatura. Embora existam grupos que se alimentam de conflitos, a maioria anseia por uma convivência pacífica e conciliadora, preferencialmente cooperativa, entre os adversários e rejeita os discursos agressivos.

O cenário está aberto para o surgimento de lideranças, uma tarefa complexa que não se realiza de forma imediata e, em casos excepcionais, nem mesmo em um século.

 


sexta-feira, 1 de novembro de 2024

Eleições 2024: Itapira não é uma ilha

No início do ano, uma questão intrigava os possíveis candidatos: qual seria o impacto da polarização política no comportamento do eleitorado brasileiro? Havia a expectativa de que a extrema direita pudesse emergir como força dominante. No entanto, a polarização revelou-se irrelevante, e a maioria dos eleitos mostrou-se moderada.

Desde a redemocratização, com exceções raríssimas, nenhum político se declarava de direita, muito menos de extrema direita. Quem não se identificava com a esquerda, autoproclamava-se de centro, como se os direitistas estivessem banidos da vida política brasileira. Isso fortaleceu uma esquerda arrogante que gradualmente se desconectou de suas próprias bandeiras e abriu caminho para candidaturas outsiders e antissistema. Tal processo prejudicou a formação política do povo brasileiro.

As manifestações de 2013 e as eleições de 2018 contribuíram para dar maior visibilidade à direita e à extrema direita, especialmente em discussões focadas na agenda de costumes e na consolidação do sentimento de antipetismo.

Ao optar pela moderação neste ano, o eleitorado parece buscar um período de reflexão para aprofundar a compreensão sobre o que representam as posições políticas de esquerda e de direita, bem como suas respectivas implicações, permitindo uma decisão mais informada entre continuidade ou mudança nas próximas eleições, prática comum em países mais desenvolvidos.

Itapira seguiu a tendência nacional: o prefeito foi reeleito, assim como em 82% das cidades brasileiras, e os vereadores escolhidos são considerados moderados. Entre os treze eleitos, cinco são situacionistas, enquanto oito fazem parte da oposição. Ao não garantir a maioria na câmara para o prefeito reeleito, o eleitorado enviou uma mensagem clara: a continuidade no cargo está condicionada a um escrutínio mais rigoroso.

Politicamente, tanto Itapira quanto o Brasil de maneira geral deram um passo importante rumo a restaurar o respeito ao processo político. Embora os próximos quatro anos provavelmente não sejam suficientes para completar essa tarefa, eles devem servir como inspiração para um avanço contínuo. Que assim seja!