segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Adeus Ano Velho, Feliz Ano Novo

 





Lá vamos nós para mais uma empreitada. Como diz um amigo meu: enquanto estivermos virando o ano, beleza.

É sabido que a "virada de ano" no dia 1º de janeiro é uma data totalmente arbitrária. Não existe um ponto de largada, nem uma linha de chegada na volta que a Terra dá em torno do Sol. Há cerca de 4 mil anos, comemorava-se o ano novo no período que marcava o fim do inverno e o início do plantio (Março). Muito tempo depois, com a implantação do calendário gregoriano – em vigor atualmente – o 1º de janeiro foi oficializado, tornando-se uma das celebrações mais simbólicas da humanidade.

Apesar das diferenças de cada povo, na virada prevalecem as reflexões sobre renovação, esperança e a despedida do passado. A palavra "Réveillon" vem da língua francesa e significa "acordar" ou "despertar". A data é tratada como um momento revisional do ano que terminou, alimentando a sensação de que, no ano que entra, seremos mais evoluídos, com defeitos corrigidos, almejando a paz, a união e a saúde. Pode até não acontecer nada disso, mas o ritual trabalha o nosso espírito e nos motiva para mais uma caminhada.

Na maioria das pessoas, apesar de todo o otimismo à meia-noite, as resoluções de Ano Novo caem no esquecimento antes mesmo de o Carnaval chegar; medidas concretas são raras. Seriam, então, promessas vazias?

Algumas datas, como o 1º de janeiro, separam mentalmente aquilo que eu era (e que não foi legal) daquilo que eu quero ser (o mais perfeito possível). É como se os problemas que enfrentamos, as nossas experiências de vida e hábitos pudessem desaparecer de um dia para o outro. Em muitos casos, ao planejarmos metas maravilhosas para o futuro, liberamos o hormônio do prazer — um processo que nos traz felicidade imediata. No entanto, ao tentarmos transformar o planejado em realizado e as dificuldades aparecerem, acabamos deixando o dito pelo não dito.

Enfim, comemorar imaginando um ano novo melhor que aquele que se foi faz parte do nosso costume. Desejos que não devem cobrados no futuro, muito menos com sentimento de derrota pelos objetivos não atingidos. O bom mesmo é chegar ao final do ano que se inicia e poder repetir tudo novamente. Isso é a vida.

Feliz Ano Novo!

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

O Natal sob diferentes olhares

Nem todos os países do mundo celebram o Natal como nós. Trata-se de uma festa de origem cristã, mas nem mesmo entre cristãos há consenso sobre sua comemoração. Há discordâncias quanto à fixação da data em 25 de dezembro, e interpretações que destacam que Jesus orientou seus seguidores a celebrar sua morte, não seu nascimento.

Muçulmanos, budistas, judeus, hindus e xintoístas, por exemplo, não celebram o Natal. Países como China, Japão, Arábia Saudita, Indonésia, Turquia e Índia não consideram o Natal uma data religiosa — alguns o exploram comercialmente, outros tentam coibir suas manifestações públicas.

 

Para quem vive o período natalino desde a infância, é difícil imaginar um Natal sem celebração, seja pelo significado religioso, seja pelas festas e presentes. Quando a indiferença à data tem base em convicções religiosas distintas, tendemos a aceitá-la com mais naturalidade. No entanto, mesmo em países majoritariamente cristãos, como o Brasil, há quem não goste do Natal.

 

Há pessoas que se incomodam com o excesso de festas, com a obrigação de comprar presentes ou com o recebimento de presentes indesejados. Aquelas que enxergam o Natal apenas como um evento comercial. Aquelas que tiveram experiências difíceis na infância, que presenciaram brigas familiares, que preferem a solidão ou que sentem profundamente a ausência de entes queridos que já partiram.

 

Enfim, apesar da importância do Natal para muitos povos ocidentais, ele não é uma unanimidade.

 

Assim como desejamos a todos um Feliz Natal, devemos também respeitar aqueles que não se sentem tão felizes nessa data. O Natal se apresenta como uma festa coletiva, mas carrega um significado profundamente individual para cada um de nós. Nem sempre o que é bom para a maioria é bom para todos.

 

Por isso, para quem celebra o Natal com entusiasmo — como eu —, desejo que os ventos desta época inspirem renovação e alegria. Para quem não tem qualquer interesse natalino, desejo felicidade ao seu próprio modo. E a todos, desejo união e respeito às diferenças.

domingo, 21 de dezembro de 2025

Corrupção sistêmica: quando esquerda e direita nadam no mesmo rio

 


Os casos envolvendo os deputados Sóstenes e Jordy, frequentemente apresentados como representantes da direita brasileira, demonstram mais uma vez que a corrupção não tem ideologia, não tem religião e não obedece ao lema “dessa água não beberei”. Há pouco tempo, a esquerda brasileira também navegava na onda de denúncias contra os corruptos da direita, mas logo passou a compartilhar do mesmo sistema. As notícias que emergem no campo político conservador são, certamente, apenas a ponta do iceberg e tendem a minar a já escassa confiança que a população ainda deposita nos políticos dessa linha.

Assim como não foi uma estratégia sustentável para a esquerda, não o será para a direita.

A corrupção no Brasil é sistêmica. Não se resume a atos isolados de indivíduos; está entranhada em práticas, relações e mecanismos que se repetem em diferentes esferas e níveis de governo, com a participação de empresários, servidores públicos e até cidadãos comuns que emprestam seus nomes para abertura de empresas de fachada ou contas bancárias. Enquanto o combate à corrupção servir apenas como bandeira eleitoral, o problema não retrocederá.

Não faltam aos corruptos mecanismos criativos para enriquecimento ilícito, sempre às custas das dificuldades enfrentadas pela população: emendas parlamentares excessivas e pouco transparentes; direcionamento de verbas para obras superfaturadas ou não realizadas; desvios em empresas estatais como Petrobras, Eletrobras e Caixa Econômica Federal; fraudes no INSS e em fundos soberanos; licitações adulteradas com editais direcionados, conluio entre licitantes e superfaturamento; uso de empresas de fachada e “laranjas”; empresas abertas em paraísos fiscais; operações com doleiros e lavagem de dinheiro; além da lentidão do sistema judicial e do excesso de recursos que perpetuam a impunidade.

Para quem enxerga a corrupção como um câncer a ser extirpado, uma coisa é certa: discurso não resolve, como nunca resolveu. Não há “bala de prata”, apenas medidas consistentes, inspiradas em experiências internacionais bem-sucedidas, como as recomendadas pela Transparência Internacional, Banco Mundial e OCDE. Entre elas: Fortalecimento das instituições de controle e Justiça, com colaboração efetiva entre agências; Agilidade e eficiência do Judiciário; Proteção real a testemunhas e denunciantes; Transparência radical e dados abertos; Controle social, com participação da sociedade civil e da imprensa no monitoramento; Governo aberto, com consultas públicas qualificadas; Compras públicas eletrônicas, auditáveis e com menos discricionariedade; Reforma política e eleitoral, com redução de custos de campanha e fim do uso eleitoreiro de recursos públicos.

Contudo, a ação mais decisiva deve nascer na sociedade: é preciso cultivar ética, cidadania, integridade e valorizar a função pública. É urgente abandonar ideias como “todo mundo faz” ou o “jeitinho brasileiro”, que naturalizam práticas nocivas que prejudicam a todos e beneficiam poucos.

Reduzir a corrupção exige, portanto, uma combinação de leis rigorosas, instituições autônomas e tecnologia com uma sólida cultura de integridade, educação e valores. Essa é uma tarefa coletiva, que depende da compreensão de que não haverá um salvador da pátria — apenas uma sociedade vigilante e ativa pode transformar essa realidade.