sexta-feira, 12 de julho de 2024

Esquerda, direita. Sobrevivência.

Nas ditaduras, autocracias, teocracias e monarquias absolutistas, a diversidade de pensamento é suprimida. Embora esses regimes possam se alinhar a uma ideologia específica, seus métodos de operação são semelhantes: concentração de poder, negação de direitos e liberdades individuais, controle das leis e da justiça e controle da informação.

Em contraste, a democracia é um terreno fértil para o livre pensamento e a pluralidade de ideias. A garantia de direitos e liberdades individuais, como a liberdade de expressão e de associação, permite que diferentes correntes de pensamento, tanto de direita quanto de esquerda, floresçam e se expressem livremente.

A democracia vai além das garantias constitucionais; ela está enraizada na mentalidade da sociedade. O voto é o instrumento fundamental para que os cidadãos participem da vida política, escolhendo seus representantes e influenciando as decisões.

Ao analisarmos as eleições em países democráticos, observamos uma divisão natural do eleitorado entre direita e esquerda, com diferentes nuances e espectros ideológicos. Essa divisão reflete a diversidade de pensamentos e valores presentes na sociedade.

Direita e esquerda são interdependentes, não apenas para a sobrevivência, mas pelo controle que uma pode exercer sobre a outra. Por exemplo, durante os dois primeiros mandatos do governo Lula, a corrupção enfraqueceu o petismo. Se naquela época houvesse partidos de direita fortes fiscalizando, será que a história seria a mesma? Durante o governo Bolsonaro, enfrentamos problemas na gestão da pandemia, afrouxamento de políticas públicas e orçamento secreto. Se a esquerda não estivesse tão enfraquecida, será que a reeleição não teria sido vitoriosa? Quando há um opositor atento, o outro lado toma mais cuidado. Um acaba ajudando o outro, mesmo sem querer.

Na democracia, a oposição desempenha um papel crucial. Mais do que se contrapor ao governo, ela tem a responsabilidade de apresentar alternativas, fiscalizar o poder e contribuir para o debate público. Dessa forma, a democracia se fortalece e todas as correntes de pensamento continuam a existir.

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quinta-feira, 11 de julho de 2024

Direita e esquerda. A missão!

As raízes do pensamento de direita estão no conservadorismo, na monarquia e na autoridade religiosa. Esta ideologia evoluiu enfatizando a ordem social, a estabilidade política e os valores tradicionais da família e da propriedade. No século XX, a direita se posicionou contra o socialismo e o comunismo, especialmente durante a Guerra Fria, defendendo a democracia. Nas décadas de 70 e 80, a direita revitalizou o neoliberalismo, promovendo políticas de livre mercado, desregulamentação econômica e redução do papel do Estado na economia.

A esquerda emergiu no final do século XVIII com as lutas trabalhistas e foi impulsionada por ideias socialistas e comunistas, levando à formação de partidos trabalhistas. No século XX, o socialismo e o comunismo tiveram grande impacto global, mas a Guerra Fria polarizou a disputa entre esquerda e direita. Com a ascensão do neoliberalismo nos anos 70 e 80, muitas nações ocidentais enfrentaram crises econômicas, fazendo com que a esquerda adotasse políticas de centro-esquerda e social-democracia para se adaptar à nova realidade.

Hoje, a dicotomia entre esquerda e direita é mais complexa, com várias vertentes que variam em radicalismo, moderação e combinações de ideias. Em março deste ano, o IPEC perguntou: “Na política, as pessoas falam muito em ser de esquerda ou de direita. Numa escala onde 0 significa esquerda e 10 significa direita, como você se considera?” Os resultados foram: 18% se consideraram de esquerda, 28% de centro e 41% de direita. Em 2020, uma pesquisa semelhante mostrou que 17% se diziam de esquerda e 39% de direita. Tecnicamente, pouca coisa mudou. Contudo, um ponto chamou a atenção: entre os eleitores de Lula nas últimas eleições, 27% se consideraram de direita, indicando que as urnas não refletiram uma vitória estritamente dos eleitores de esquerda.

Enquanto os extremos, direita e esquerda, se esforçam para se manterem fiéis às suas tendências, o grupo intermediário, centro-direita e centro-esquerda, dependendo dos candidatos, pode migrar para o outro lado. Em eleições apertadas, é esse grupo que define o resultado. O fiel da balança!

Continua...

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terça-feira, 9 de julho de 2024

Esquerda ou direita? Eis a questão!

A formação da esquerda brasileira teve início nos primórdios do século XX apoiada fortemente pelos movimentos operários e influenciada pelo pensamento socialista, mas sem obter relevância eleitoral. Até 1985, a direita manteve-se no centro do poder. Com o desgaste causado pela situação econômica e social, a direita perdeu protagonismo, levando o governo militar a dar início ao processo de redemocratização.

Enquanto os partidos que combateram a ditadura ganhavam força nas urnas, os políticos de direita, na tentativa de conter as perdas, adotaram a estratégia de não se declararem “direitistas”. A esquerda, visando enfraquecer o adversário, aproveitou para demonizar a direita. Como consequência, a esquerda ganhou espaço, e a direita passou a se posicionar como “centro”. No poder, a esquerda cometeu excessos.

Por cerca de 30 anos, o Brasil parecia fingir que a direita não existia. Em 2013, ela começou a ressurgir e, em 2018, chegou ao poder, repetindo alguns dos mesmos erros cometidos pela esquerda, entre eles, a crença de que um lado pode sobreviver sem o outro. Não existem eleitores 100% esquerdistas, nem 100% direitistas.

Aristóteles definiu o homem como um animal político. Ao longo da história, a civilização buscou a organização social e o poder. A política interage e negocia para alcançar objetivos individuais e coletivos. Apesar de nos alinharmos a determinadas ideias, estas não seguem um padrão fixo. A inclinação política não é instantânea; ela depende de fatores pessoais, familiares, sociais, culturais e psicológicos. Trata-se de um processo individual e complexo que reúne pessoas com tendências que vão da extrema-direita à extrema-esquerda.

Quem valoriza a liberdade individual, a livre iniciativa, a aceitação da desigualdade social como um fenômeno natural inevitável e o conservadorismo se posiciona politicamente à direita. Quem defende a igualdade e justiça social, a intervenção estatal para garantir o essencial e o progressismo integra a esquerda. No entanto, diversas correntes gravitam entre o radicalismo (extremo) e a moderação (centro-direita ou centro-esquerda).

Não existe um lado certo. Ambos possuem pontos positivos e negativos. Quem decide? A maioria.

segunda-feira, 8 de julho de 2024

Direita? Esquerda? O que é isso?

 

Entre meados dos anos 1970 e 2013, a direita brasileira viveu um período de "apagão". Políticos e partidos evitavam se identificar com o termo. Isso, no entanto, não significou que a direita brasileira estava fora do jogo, como desejava a esquerda nacional, mas sim, prejudicou o debate ideológico e a evolução política do país.

Um dos efeitos colaterais desse "apagão" foi o surgimento do "Centrão", congressistas que colocam seus interesses pessoais, nem sempre republicanos. Além disso, a ausência de uma direita assumida gerou confusão no eleitorado sobre o que significava ser de direita ou de esquerda.

Para muitos, a distinção entre as correntes passou a ser feita com base em figuras políticas. Essa simplificação excessiva ignora a complexa gama de fatores que moldam a visão de mundo, sensibilidade, experiência e formação de cada indivíduo. Mudanças em bases tão sólidas não ocorrem por comando ou vontade de terceiros, mas sim de forma gradual, refletindo a realidade e suas nuances.

Apesar de suas falhas, a democracia é o único regime político capaz de promover o bem-estar da população. Para que funcione plenamente, é fundamental a participação popular, a existência de partidos políticos fortes e bem definidos, com alternância de poder.

É importante lembrar que a maioria, mesmo que nem sempre acerte, vota com a intenção de fazer o melhor. E quando erra, tem a chance de corrigir.

Ao longo da história, a figura do líder sempre esteve presente. No início, as decisões eram tomadas de forma coletiva. Com o crescimento das comunidades, a urbanização e a organização territorial, novas regras se impuseram, dando origem a reis, imperadores, califas, tiranos e ditadores. Figuras que concentravam poder e se distanciavam do povo. A partir do final da Idade Média, com os renascimentos cultural e científico, a Reforma Protestante, o Iluminismo e as revoluções Industrial, Francesa e Comunista (Guerra Fria), o pensamento político passou por profundas transformações.

Os termos "direita" e "esquerda" surgiram durante a Revolução Francesa, na Assembleia Nacional. Na ocasião, os representantes se dividiam entre progressistas (à esquerda) e conservadores (à direita).

Continua...